Vai, Francisco, pastor dos pobres,
com o vento das ruas na alma cansada.
Carregas no peito as chagas do mundo,
e a dor de uma terra silenciada.
Disseste: “A Igreja não é muro, é travessia”,
e foste aos sem-voz, aos sem-teto, sem medo.
Teu abraço tornou-se um altar vivo,
tua fé, ponte erguida sobre o concreto.
“Quem sou eu para julgar?”, perguntaste,
e o céu chorou de esperança e luz.
Chamaram-te fraco, foste rocha;
contra as guerras, ergueste tua cruz.
Mostraste que Deus habita na lágrima,
no pão partilhado, no olhar que acolhe.
A morte não te apaga: te espalha.
Vai, Francisco, e o amor seguirá teu nome.
— Daniel André







