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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Vou mostrando como sou, e vou sendo como posso. Insta: @danielrprj

4 de abril de 2026

Amor e Canções


 














Eu cheguei
Com o disco da Ângela Ro Ro debaixo do braço
e uma margarida amarela
que rezava na minha orelha.
 
As mãos nos bolsos
guardavam mais que silêncio:
era medo fazendo ninho,
era o peito aprendendo a esperar.
 
Havia no ar o tremor escondido
de quem finge calma
mas já se entregou por dentro.
 
E as canções,
mais sábias que eu,
já diziam baixinho:
amar é esse susto doce,
pedindo licença
pra ficar.
 
Daniel André

28 de janeiro de 2026

O Cãozinho Orelha

 









Orelha
era um pedaço de manhã
correndo pelo quintal.

Não sabia da maldade
porque só aprendia afeto.
Abanava o mundo
com o rabo.

Mataram um ser
que só conhecia alegria.
Foi um erro contra a vida
e contra a infância do dia.

Os bichos
são feitos de amor sem defesa.
Quando um cai,
o chão chora
e a humanidade
fica menor.

Esqueceram
que um cão
carrega no peito
a parte mais limpa do humano
que não existe mais.
 
Daniel André 

25 de janeiro de 2026

Chuva de verão

 











Chove de repente,
chuva que não pede licença.

Um homem sozinho
aprende a gostar do barulho
que a água faz nas coisas pequenas.

Guarda um desejo
sem endereço certo:
um amor que chegue
feito flor entregue sem motivo.

Gosta de receber flores
porque elas não perguntam nada.
Apenas ficam.

No fim de tarde de domingo
o céu amolece,
a chuva descansa
e o homem também.

Ele sabe que amar
é esperar com delicadeza
enquanto o mundo molha

Daniel André

17 de janeiro de 2026

Saudade


A saudade
é um resto de tempo
que não aceitou ir.

Guardo-a
junto das coisas inúteis:
um botão sem camisa,
um nome sem voz,
um azul
que o mar esqueceu em mim.

O tempo passa
como passam os rios:
fingindo que não voltam.

Mas há tardes
em que ele senta
no quintal do peito
e fica.

Fica porque quer.

E eu deixo.

Porque algumas ausências
sabem mais de nós
do que a presença.


Daniel André