12 de setembro de 2018

Fim de tarde


Fim de tarde na praia
meus pés são beijados pela salgada espuma
contemplo o entardecer
num transparente véu de bruma.

Entro no solitário oceano
mergulho nas entranhas de netuno
e encontro liberto das algas
um amor livre do orgulho.

O pôr do sol se aproxima
a rouca luz, abraça todo o mar
eis o lindo cenário da natureza
ensinando a arte de amar.

Daniel André

13 de agosto de 2018

Testemunha de uma madrugada



E a insônia inoportuna
sequestra meu descanso
o dilúvio de meu lago cristalino
são amparadas nas asas de um anjo.

saudade do que nunca tive.

as animadas samambaias,
dançam com o assobio do vento.
Uma canção romântica de Jim Croce
só angustiam sentimentos
nunca recíprocos.

abraço forte com os olhos
sua fotografia mais bonita
teu cheiro corre meu corpo
o lume da minha vida

e é no bocejo da manhã
que acordo para o que nunca vem
depois de testemunhar a madrugada
te encontro nos sonhos
e no meu amém.

Daniel André

5 de agosto de 2018

Terno e vestido


Sinto as dores de meus irmãos
na intolerância são crucificados
no casulo dos guetos
não podem ser caçados.

No interior do terno de um homem
uma flor, alma feminina
na infância era vetado
por gostar de brincar com meninas.

De vestido estampado na feira
escondida numa fina voz aguda
sente saudades do futebol na rua
dos pés ralados, e sua bermuda.

Ternos podem vestir a vida
mas só o gênero veste a alma
se viver a opinião alheia
nunca encontrará a calma.

Machucada, mas erguida
andrógino, mas temido
acessórios são complementos
como um terno e um vestido.

Daniel André.

18 de junho de 2018

Triumph Bonneville


Jaqueta cor de corvo, 
armadura de liberdade
e um homem com sua Triumph Bonneville.

Ele acelera na infinita estrada de outono,
voa no asfalto de um cenário bucólico,
enquanto as pesadas camadas de lamúria
se desprendem, e se juntam as folhas mortas.

A possante Bonnevillle o conduz a sua extensão:
harmonia de um amor feliz
com o perfume natural da renovação
no sério olhar por trás da ray ban.

Sem jaqueta 
uma armadura espiritual
Um homem no por do sol 
com sua Triumph Bonneville.

Daniel André.

10 de junho de 2018

O retorno



Retorno ao passado que hoje é presente
não ouço vozes, nem vejo mais pessoas
e na minha face, a cusparada do tempo
vergonhosa e que atordoa.

Recebo o julgamento moral dos imperfeitos
enquanto conserto o caos desse pretérito
os leigos juízes da hipocrisia
fazem questão de instaurar inquérito.

Dedos que apontam erros
erros costurados de penitências
e no silêncio, a minha ciência.

Busco a força na esperança
deixo de lado o transtorno
e recomeço, com o meu retorno.

Daniel André

23 de maio de 2018

Sintonia iluminada


As batidas de meu coração
renasceram com seu olhar
iluminou todo o corpo
pulsando desejos, feliz está.

Em teus olhos iluminados
sou acolhido e seguro
nesse genuíno sorriso
planejo nosso futuro.

De longe nosso amor
labareda resplandecente
infinitos desejos.

Dois astros apaixonados
um ponto reluzente no céu
rútila sintonia.

Daniel André

8 de maio de 2018

Canção da paixão solitária



Canto diante da lua prateada
a releitura de minha paixão
em notas idílicas te clamo
a estanciar em meu coração.

Te busco na densa bruma,
obra prima que tanto desejo!
Por que quando te abraço
não te sinto, nem te vejo?

Olhos, estrelas encantadas
devaneios suspirosos
te aspiro no sereno do mar.

Sonhar, um dia te encontrar
meu sorriso enamorado
contigo precisa descansar.

Daniel André