20 de março de 2021

Comida & Poesia


Identificação e muita magia
que se prepara
comida e a poesia
 
em toda refeição
vem o desejo de agradar
temperada em versos
sorrindo com o paladar
 
Na cozinha o ingrediente
conhecido como amor
é o mesmo que uso
quando vou compor
 
Se uso muito sal e pimenta
a boca do estomago começa gritar
então prefiro os agridoces
a felicidade, é salutar.
 
Degustar um poema
deve ser à base de emoção
saboreie na colher de pau
e guarde no coração.
 
Simples feijão com arroz
xicaras, silabas, quantidades
na comida e na poesia
existe uma imensa variedade.
 
Daniel André

12 de março de 2021

Autoamor

Costuro com fios de ouro
as vísceras de uma paixão
agora a chuva canta na janela
e acalma os exaltados tremores
da falta, de conexão.
 
Os ancestrais reverberaram
que meu ego, não é competidor
e ganhei de presente
a paz que foi embora
mas que criou asas, e voltou.
 
Deitado, e com as mãos suspensas
entrego o jogo.
O elixir para toda dor
são as gotas sagradas de tempo
porque a todo momento
brota o autoamor.
  


Daniel André.

25 de fevereiro de 2021

Óculos escuro


O teu coração
é um filhote indefeso
por isso tenho medo
que alguém venha lhe machucar.
 
Use óculos escuro
e esconda esse olhar
que se eleva nos descaminhos da vida
e fantasie de valentia esse rosto
emocionado de mínimos toques
sensoriais.
 
Perdido dentro de mim
mas nos seus olhos
vi uma acolhedora timidez
e minha própria vida.
 
Daniel André

29 de janeiro de 2021

Mundo desumano


À deriva nessa terra de malandros
onde sentimentos são ignorados pela imediata liquidez
do prazer instantâneo, busco-me!
A criança não adulteceu, e hoje os homens choram
por amores superficiais.
 
Não existe mais uma intima conexão
de um beijo que une almas,
e deixa o gosto de continuidade,
ou de um abraço que consola
e alivia o âmago da carência,
e o sexo, que funde desejos, agora
é uma necessidade fisiológica.
 
Escondo-me, sendo a azeitona
que se afoga no Dry Martini, e numa canção
que propaga a atenção das pessoas. Sombras
vestem-me de embriaguez e sirvo na bandeja
a minha insatisfação, com esse mundo
desumano.
 
Daniel André.

24 de setembro de 2020

O Beijo da Primavera


O meu fértil corpo de jequitibá rei
foi escolhido por ela,
para a gestação da sua singela estação.
  
Fiquei delicado quanto a gota d´água
que escorre das folhas árvores que tocam o céu,
e fazem cócegas nos pés de Deus.
 
A primavera beijou minha boca
e sentiu que o meu amor é um fruto tranquilo
de cor vermelho pitanga.
 
Nas costas de um beija flor, voei
nas flores, beijei e senti o perfume
cítrico-amadeirado se mesclar com o orvalho.
 
Ipês dançavam com os ventos,
que na felicidade, espalharam coloridas pétalas
roxas e amarelas no chão molhado.
 
Estava explicito a minha vontade de florescer,
de amar, de lançar vida. E foi por isso que,
a primavera beijou a minha boca!

Daniel André.

8 de setembro de 2020

La Vie En Rose


Na varanda do meu sorriso

o alaranjado dia se despede, e recebo

no final de domingo

um beijo astral do meu amor.

 

A vida é perfeita em sincronia:

as estrelas acanhadas aparecem,

famílias vão alimentar a fé e a carrocinha 

de algodão doce tocando “La vie en rose”.

 

Araras partem para o horizonte

e na revoada, se perdem com as asas

da noite que recolhem toda a vida

para um descanso necessário.

 

A estranha solidão do universo

se esconde dentro de mim, no entanto

carrego o estandarte da felicidade

no meu infinito olhar.

 

As begônias e marias-sem-vergonha

insistem em conversar,

e algumas árvores começam a bocejar.

Tem cheiro de jambo no ar.

 

O balde traz a água do poço

estou nu, e com um colar de osso

a lua prateada, escorre em meu corpo. 

Límpidas águas abençoadas.

 

Daniel André.

4 de agosto de 2020

Pronome possessivo

 


Atravessei uma tempestade de pétalas, para mergulhar nas correntezas que faziam o mapa do espectro de minhas emoções. Não percebi, estava eu, dentro de mim.


Desejei que o seu desejo, dominasse o meu corpo: 
transbordado de vazio existencial
 - mas que se completa e embriaga, 
quando me olha com seus lindos olhos. Ganho cores!

Senti o silêncio ninar meu corpo, 
quando meus dedos percorriam o relevo do seu. 
Desenhei a nossa história em cima 
dos seus arrepios e sorrisos.

Plantas nasciam 
em cada piscar de admiração da nossa sintonia, 
e nossas almas se mesclavam, 
formando uma única essência.
Demorei, mas entendi. A intimidade do tempo 
trouxe a necessidade que se afirma e consolida, 
de sermos cada vez mais, 
um pronome possessivo na vida do outro


Daniel André
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E Finalizo com essa linda música do Chicago - "Happy Man", para embalar os dias com amor e otimismo. Abraços.