A saudade
é um resto de tempo
que não aceitou ir.
Guardo-a
junto das coisas inúteis:
um botão sem camisa,
um nome sem voz,
um azul
que o mar esqueceu em mim.
O tempo passa
como passam os rios:
fingindo que não voltam.
Mas há tardes
em que ele senta
no quintal do peito
e fica.
Fica porque quer.
E eu deixo.
Porque algumas ausências
sabem mais de nós
do que a presença.
Daniel André
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