18 de junho de 2018

Triumph Bonneville



Jaqueta cor de corvo, armadura de liberdade
e um homem com sua Triumph Bonneville.

Ele acelera na infinita estrada de outono,
voa no asfalto de um cenário bucólico,
enquanto as pesadas camadas de lamúria
se desprendem, e se juntam as folhas mortas.

A possante Bonnevillle o conduz a sua extensão:
harmonia de um amor feliz
com o perfume natural da renovação
no sério olhar por trás da ray ban.

Sem jaqueta, uma armadura espiritual
Um homem no por do sol e sua Triumph Bonneville.

Daniel André.

10 de junho de 2018

O retorno



Retorno ao passado que hoje é presente
não ouço vozes, nem vejo mais pessoas
e na minha face, a cusparada do tempo
vergonhosa e que atordoa.

Recebo o julgamento moral dos imperfeitos
enquanto conserto o caos desse pretérito
os leigos juízes da hipocrisia
fazem questão de instaurar inquérito.

Dedos que apontam erros
erros costurados de penitências
e no silêncio, a minha ciência.

Busco a força na esperança
deixo de lado o transtorno
e recomeço, com o meu retorno.

Daniel André

23 de maio de 2018

Sintonia iluminada


As batidas de meu coração
renasceram com seu olhar
iluminou todo o corpo
pulsando vida, feliz está.

Em teus olhos iluminados
sou acolhido e seguro
nesse genuíno sorriso
planejo nosso futuro.

De longe nosso amor
labareda resplandecente
infinitos desejos.

Dois astros apaixonados
um ponto reluzente no céu
rútila sintonia.

Daniel André

8 de maio de 2018

Canção da paixão solitária



Canto diante da lua prateada
a releitura de minha paixão
em notas idílicas te clamo
a estanciar em meu coração.

Te busco na densa bruma,
obra prima que tanto desejo!
Por que quando te abraço
não te sinto, nem te vejo?

Olhos, estrelas encantadas
devaneios suspirosos
te aspiro no sereno do mar.

Sonhar, um dia te encontrar
meu sorriso enamorado
contigo precisa descansar.

Daniel André

21 de abril de 2018

Astronauta espiritual

Sou um astronauta espiritual
navego de escafandro
numa gôndola opala
remo entre estrelas
formo constelações
desenho galáxias
e nesse mergulho cósmico
de explosões e nascimentos
procuro um lar
para descansar
aprender
evoluir
amar.

Daniel André

9 de abril de 2018

O outro lado da rua


Na rua detrás das evidências
buzinas não atormentam
a atmosfera de minha alma.

Rostos fabricados de enfeites
não analisam o meu,
escondido as multidões.

Ainda vejo pássaros,
a tranquilidade de um senhor na carroça
um cigarro de palha,
a silenciosa fumaça num chalé,
e a intimidade
com minha solidão.


Daniel André

14 de fevereiro de 2018

Cinzas de carnaval



No rufo dos tambores
O carnaval aparecia
Inúmeras máscaras, fantasias
O suar banhava
Toda a alegria.
Amores e serpentinas
Cruzavam olhares
Êxtase da felicidade
Etílicos prazeres
que se desfaziam em gargalhadas.
Agora a quarta
é de cinzas
numa caixa de madeira
coberta de poeira
os confetes
e as lembranças da folia.

Daniel André