31 de outubro de 2013

Depois da festa


Sentado no meio do salão vazio,
Perdido entre confetes e serpentinas,
Segurava-me consciente no copo de uísque.

Engolia a última gota de saudade,
Que sentia correr todo o meu corpo,
Como os anos que já corriam de mim.

Comi meu pedaço de torta de maracujá,
Mastigando as lembranças azedas,
o recheio das imagens de outras épocas.

Estourei as bexigas carregadas de mágoas,
Outras ganharam a liberdade da janela aberta,
Eram meus amores, ganhei a minha paz.

De presentes mais rugas e experiências,
E a percepção da autoridade do senhor tempo,
Um professor invisível que nos acompanha.

Alguns dos convidados que me abraçaram,
Senti a verdadeira essência da amizade,
Outros, o interesse em oportunidades.

Depois da festa, tudo são momentos,
Repetidos nas páginas de um grande livro,
Que chamamos pelo nome de vida.


Daniel André

28 de outubro de 2013

O orfanato


Quando entrei naquele corredor,
a minha roupa de homem robusto,
foi-se embora, como aquele pai,
ou aquela mãe. Despido.

Como podem ser tão insensíveis?
Como segurar o oceano de lágrimas,
Depois de visitar um orfanato?

Pequenos órfãos em desvantagem,
não conhecem o bem mais valioso: a família;
mas nunca perderam a esperança
de um dia recomeçar em outra.

Meu Deus, proteja seus filhinhos!
Que as pessoas de grande coração
acolham esses pedacinhos de gente.

Crianças sorrindo, brincando, chorando.
Desmontei-me. Fui amparado por cada uma.
A minha atenção era um imenso manto,
eu estava ali,
eu era de todas elas!

O relógio alertou-me para ir
os olhos já desidratados de chorar.

As mãozinhas agarraram-se no portão,
E outras agarraram o meu coração.

Daniel André.

24 de outubro de 2013

Agradecimentos II - Gratidão


















Na imensidão que é essa blogosfera, conhecemos pessoas que tem os mesmos pensamentos e coincidências de vida que nós. Assim é com a amiga e professora Vall Nunes, que tenho imenso carinho.  

Compartilho com vocês, a poesia que ela fez para mim. Não tenho muito o que dizer, pois toda vez leio, fico com aquele semblante de menino feliz.  Um grande abraço a todos !


Daniel André 
Homem
Anjo
Ou profeta?
Lapidador de versos
Impressos
Imprime
Os mais sublimes sentimentos
Homem de sentimentos nobres
Sorriso contido
Pra esconder o homem atrevido?!
Anjo com olhar inocente
Caridoso
Benevolente
Mexe com as emoções sutilmente
Profeta
Anuncia a purificação da alma
Depois de dias no matagal
Para voltar um novo homem
Carregando Um embrião de sonhos
Onde as fantasias se originam
Fotografias doloridas
Registram vidas partidas
Nos álbuns ocultos dos sentimentos
Recordações do Homem Grande
Abriu-se o pote das lembranças
Saiu, enfim, da reclusão
Depois de um tempo necessário de preparação
Deixou suas ideias se espalharem
Como as folhas se espalham pelo chão do outono
Assim, anuncia que é tempo de colher frutos
Novos, doces, com sabor singular da estação
Lapidador de versos
Amigo virtual
Carinho inexplicável e real
Compartilhamos dessa Confusão que nos causa as emoções
Povoa meu particular universo
Com lindos versos impressos
Escritos por um poeta gago romântico
Que pode ser também chamado de Apego
Um animal diferente
Dependente de um abraço quente
Aconchegado nas Cidades do interior
Pra fugir desse Cemitério de gente viva
A natureza purifica
Profetiza 
Escritos com penas angelicais
A perfeita dor
Que somente sente os mortais 
Por serem capazes de se doar a outrem
Amemos!
Como Meu Poeta nos exorta
No Presente do subjuntivo do verbo amar
O mais puro dos sentimentos
Que parece ser o maior tormento
Daqueles que não querem se entregar
Amemos com simplicidade
Com entrega e verdade
Amemos!
Profeta Daniel
André fiel discípulo da verdade
Num misto de homem e anjo
Espalha mensagens de amor
Com muita simplicidade
Mesmo preso no Laço da sua tristeza
Seus versos carregam especial beleza.


Vall Nunes
http://subjetividadeevoce.blogspot.com.br/ 

22 de outubro de 2013

Jantar a luz de vaga-lumes

Corri quilômetros para te abraçar
as estrelas sentiam a minha alegria
lágrimas azuis cortinavam o céu
banhando aquela noite de euforia.

Em minha frente você já estava,
afoguei sua inibição de querer afago
um banquete de libido na fogueira
mergulhei nas profundezas do seu lago.

Uma nuvem de pudor,
tampou os olhos curiosos da lua
libertamos a saudade no peito
e arrancamos as vestes na rua.

Beijamos de forma singela,
o desejo foi ficando carnal
a noite revela o seu rosto
e nossa linguagem corporal.

A fome alastrava
pela cintura, te inclino na grama
leves beijos a entrega
e fazemos amor na lama.

Satisfeitos ficamos por horas
jantamo-nos à luz de vaga-lumes
a lua foi a cumplice
de uma paixão sem bons costumes.

Daniel André.

19 de outubro de 2013

Coleção de troféus

E aquelas promessas infinitas de amor
Que diluíram a minha insegurança?
Fez de mim fonte de seu orgulho
Deixando meu ego sem liderança.

E aqueles beijos e abraços?
Tamanha intensidade de deleitar
Quebrei o medo das correntes
Que me impediam de se apaixonar.

E aqueles ramalhetes de alfazema
Com um bilhete escrito: eu te amo?
Mais tarde descobri ser fétido
Hoje, estou caminhando.

Nesse jogo dos corações carentes
Enfeita sua estante cheia de troféus
Sem romances e sozinho
Consciência tranquila, estou no céu.

Daniel André

18 de outubro de 2013

A Bailarina e o lixeiro



Duas pessoas diferentes
A bailarina e o lixeiro
Não existe classe social
Para o amor verdadeiro.

A bailarina engraçada
Toda ela se mexia
Aos beijos abraçada
Com sorrisos de alegria.

O lixeiro sempre gentil
uma rosa ousou a comprar
como um homem apaixonado
a bailarina conquistar.

Era tanta a felicidade
Naquele momento sentiam
Encontraram a liberdade
Que antes não sabiam.

Sua tez cor de leite,
Com água de colônia,
Ele moreno e todo sujo
se beijam sem cerimônia.

Tarde nublada,
A rua toda florida
Os dois de mãos dadas
Respirando a vida.

Anos se passaram
E o amor forte continua
Cisnes apaixonados
Namoram sob a lua.

E dançam felizes
O amor tudo pode mudar
Prósperos com seus filhos
Em algum lugar.


Daniel André.

17 de outubro de 2013

Convite ao ócio

A fadiga me enviou um convite,
Para ficar deitado naquela rede,
No balançar do trançado duplo,
Observava lagartixas na parede.

Passarinhos cantavam na varanda,
Naquele vai e vem sacudiu filosofia,
Diga-me o motivo da minha existência,
Que te banho com poesia.

Pensava na transitoriedade do tempo,
Tão momentâneo como a leitura,
Ilusório como fim da corrupção,
Já arraigado em nossa cultura.

Queria atingir a beleza do amor,
Quando saísse daquele tecido de malha,
O Deus Hipnos descansou meus olhos,
Para o dia seguinte de batalha.

Descansei todos os meus problemas,
Do capitalismo e seus negócios,
Se o amanhã não chegar bem cedo
Vou saboreando na rede esse ócio.

Daniel André

A fotografia foi captada pelo meu grande amigo fotógrafo Nil Barros, na cidade de Nova Friburgo,  interior do Rio de Janeiro.

14 de outubro de 2013

Laranja da terra


A poeira se acalma com a chuva,
Levantando um aroma campestre,
A água vai lavando a minha aparência
Deixando tudo em tons celeste.

Celeste é ver a beleza do campo,
Hortaliças e frutas delicadamente molhadas,
Mãos calejadas vão colhendo alimentos
Com a caminhonete seguem as estradas.

Nessas estradas, nesse solo ubertoso,
Moldando o barro, desfazendo a guerra.
Será a terra que escolherei para viver
Como o pé de laranja da terra.

Por aqui vou fincando minhas raízes
Desse pé caem flores brancas no chão,
Meu incenso cítrico perfuma o mundo
Nessa terra plana, apenas gratidão.

Daniel André

A fotografia foi captada pelo meu grande amigo e companheiro, o fotógrafo Nil Barros, na cidade de Sumidouro,  interior do Rio de Janeiro