16 de dezembro de 2015

Soldado ferido



Tiros e pedradas de ingratidão
vão causando rachaduras,
fendas enormes surgem
em minha égide de gentileza.
No campo de batalha,
Onde as botas de couro vozeiam,
e cordões umbilicais enforcam
Não há espaço para pieguices.
Nem todo adversário
consegue um tiro certeiro.
Até derrubo alguns,
em meu coração hospitaleiro.
Cansado de guerras sem motivos
eclodo a luz da razão
desarmo a aparente hostilidade.
Afogado por uma lágrima,
coração remendado feito pano velho
sigo de cabeça ereta,
punhos de fogo,
eu, soldado ferido.

Daniel André

 Um pouco de Beatles, "all you need is love " para acompanhar a minha escrita.

9 de dezembro de 2015

Um de nós



Um homem fuma seu cigarro
O outro toma a sua bebida
Ambos sozinhos no mundo
Questionando o “porque” da vida.

Uma mulher voa na rua,
Entre as cortinas da madrugada
Pensa e chora bastante
Por nunca ter sido amada.

O jovem excluído por todos
Não queria ter existido
No seu mundo de fantasias
Andará sempre ferido.

Um de nós está perdido
Em labirintos do próprio eu
A carência é a grande vilã
De quem ainda não faleceu.

Equilibradas doses,
De humildade e compaixão
São Antídotos poderosos
Para os erros e a solidão.

Daniel André.

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Gosto muito dessa linda canção do ABBA, para ilustrar a minha escrita. Abraços amigos !


28 de novembro de 2015

Dois zangões



Dois bravos sem colmeia
Expulsos, e sem ferrão
Unem forças e vivem juntos
Presas de amor, presas de paixão.

Diante da flor mais bela,
Criam o seu próprio reino
Extasiados e não zangados,
O amor é belo, e não é feio.

Nas brisas montanhosas,
E no frescor das flores
Um voo nupcial, dois zangões...
- Polinizam amores.




Milton Nascimento - Paula e Bebeto (Qualquer maneira de amor vale a pena). Abraços meus amigos, fiquem na paz.

Daniel André

24 de novembro de 2015

Igrejinha




Por séculos naquele vale
Habitavam sábios monges
E pessoas simples que cultuavam a paz.

Envolvida no verde silvestre
E no cantar do uirapuru
lá estava a igrejinha, sempre a encantar.

Romarias foram feitas
Batismos celebrados, e
Amores canonizados.

Por séculos naquele vale
A igrejinha decora a fé
E alimenta infinitos sonhos.

Daniel André


E para acompanhar o cenário poético de "Igrejinha", Jesus, alegria dos homens de J.S.Bach.