31 de outubro de 2013

Depois da festa.



Sentado no meio do salão vazio,
Perdido entre confetes e serpentinas,
Segurava-me consciente no copo de uísque.

Engolia a última gota de saudade,
Que sentia correr todo o meu corpo,
Como os anos que já corriam de mim.

Comi meu pedaço de torta de maracujá,
Mastigando as lembranças azedas,
Do recheio das imagens de outras épocas.

Estourei as bexigas carregadas de mágoas,
Outras ganharam a liberdade da janela aberta,
Eram meus amores, o meu amor, a minha paz.

De presentes ganhei mais rugas e experiências,
E a percepção da autoridade do senhor tempo,
Um professor invisível que nos acompanha.

Alguns dos convidados que me abraçaram,
Senti a verdadeira essência da amizade,
Outros, o interesse em oportunidades.

Depois da festa, tudo são momentos,
Repetidos nas páginas de um grande livro,
Que chamamos pelo nome de vida.


Daniel André