17 de outubro de 2013

Convite ao ócio


A fadiga me enviou um convite,
Para ficar deitado naquela rede,
No balançar do trançado duplo,
Observava lagartixas na parede.

Passarinhos cantavam na varanda,
Naquele vai e vem sacudiu filosofia,
Diga-me o motivo da minha existência,
Que te banho com poesia.

Pensava na transitoriedade do tempo,
Tão momentâneo como a leitura,
Ilusório como fim da corrupção,
Já arraigado em nossa cultura.

Queria atingir a beleza do amor,
Quando saísse daquele tecido de malha,
O Deus Hipnos descansou meus olhos,
Para o dia seguinte de batalha.

Descansei todos os meus problemas,
Do capitalismo e seus negócios,
Se o amanhã não chegar bem cedo
Vou saboreando na rede esse ócio.

Daniel André
 

A fotografia foi captada pelo meu grande amigo fotógrafo Nil Barros, na cidade de Nova Friburgo,  interior do Rio de Janeiro.