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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Vou mostrando como sou, e vou sendo como posso. Insta: @danielrprj

27 de abril de 2026

Heróis e Vilões

















 

Somos vilões nas histórias de alguém
E heróis nos contos de outros
Às vezes anjos em lembranças suaves
E demônios em narrativas duras
Em cada memória deixamos um traço
Alguém nos pinta em tons duros
Outro nos guarda em luz suave
Não há fuga disso
Nem escolha que nos livre
Nem gesto que agrade a todos
A vida nos escreve em versões
E cada olhar muda a tinta
Até quem lê Drummond
E quem respira Lispector
Carrega contradições silenciosas
Em algum capítulo erramos
Em outro fomos abrigo
Somos personagens instáveis
Narrativas que se dobram
Vistos por olhos diferentes
Seguimos sem controle do enredo
E ainda assim seguimos escrevendo
Pois muitas vezes o demônio
É só quem ousou dizer NÃO!

Daniel André

26 de abril de 2026

Dois santos

 


Não dormi esta noite.
A madrugada rangia como porta antiga.
O teto respirava lento.
Eu contava passos que não dei.
O dia nasceu por frestas.
Um balão pairava como um coração esquecido.
Parado, e ainda assim viajando.
As maritacas riscaram o ar em gargalhadas verdes.
Fizeram do céu um quintal.
Eu, descrente, aprendi o silêncio.
Não creio em deuses, acho interessantes.
Mas guardo dois nomes como fósforos.
Santo Expedito, pressa de milagre.
São Jorge, lâmina contra dragões íntimos.
O balão era um ouvido de vento.
Nele depositei pedidos sem voz.
Pedras viraram sementes na língua.
A manhã abriu o peito da cidade.
E o ar levou minhas dúvidas como pipa solta.
Fiquei ali, pequeno, esperando o alto responder.

 

Daniel André

4 de abril de 2026

Amor com canções


 














Eu cheguei
Com o disco da Ângela Ro Ro debaixo do braço
e uma margarida amarela
que rezava na minha orelha.
 
As mãos nos bolsos
guardavam mais que silêncio:
era medo fazendo ninho,
era o peito aprendendo a esperar.
 
Havia no ar o tremor escondido
de quem finge calma
mas já se entregou por dentro.
 
E as canções,
mais sábias que eu,
já diziam baixinho:
amar é esse susto doce,
pedindo licença
pra ficar.
 
Daniel André