Sonhei que acordava num mundo programado,
Onde o pensar já vinha formatado,
Homens de espelhos, sorrisos fabricados,
Corações rendidos a desejos moldados.
Havia templos erguidos no medo,
Vendendo paraísos ao preço do apego,
Corpos moldados por regras de aceitação,
Almas vazias pedindo aprovação.
Corriam cegos pela ascensão social,
Trocando a essência por brilho artificial,
Repetiam discursos em fervor mecânico,
Como máquinas servindo um futuro tirânico.
Andei sozinho entre vitrines e correntes,
Enfrentando vozes frias e persistentes,
Recusei as formas impostas pelo rebanho,
Mesmo tratado como erro ou estranho.
E quanto mais negava os padrões daquela terra,
Mais crescia uma silenciosa guerra,
Pois fugir do que domina deixa cicatriz,
A liberdade tem espinhos antes da raiz.
Rompi o sonho, ou talvez a prisão,
E vi o cárcere escondido na aceitação,
De viver sem nunca a si pertencer,
Então escolhi perder-me para me conhecer.
Daniel André