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30 de junho de 2026

Terremoto da empatia morta

 










Cantam as arquibancadas.
A noite veste bandeiras.
Mas a terra, em silêncio,
recolhe seus filhos.

Há taças erguidas ao céu
e mãos vazias sob os escombros.
Enquanto a glória sorri,
a dor aprende a esperar.

Que vitória resiste
ao pranto de uma criança?
Que hino supera
o silêncio dos ausentes?

A montanha abriu o peito.
As pedras disseram adeus.
E o vento levou consigo
os nomes que ainda chamavam.

Não condeno a alegria.
Condeno o esquecimento.
Toda festa perde o brilho
quando ignora a ferida do outro.

O maior terremoto, porém,
não rompe montanhas nem mares.
Nasce no coração humano
quando deixa de sentir.

Daniel André

14 comentários:

  1. Daniel eu estava refletindo sobre esse tema da empatia desde que aconteceu o terremoto na Venezuela. Ontem, com o jogo do Brasil, todos estavam voltados para as festas, as comemorações. Exatamente naquele momento, milhares de famílias estavam sem ter um lugar para ficar, tantos outros sozinhos por terem perdidos os entes queridos debaixo dos escombros. A cada vida salva uma comemoração. Os cães farejadores fazendo um trabalho impossível para encontrar vida debaixo de milhões de toneladas de concreto...É difícil comemorar diante de um fato tão triste como este e tão próximo de todos nós...
    Muito importante o seu poema amigo, traz lucidez para ele momento triste...
    Tenha uma ótima semana!!

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  2. Realmente são dois eventos que não combinam entre si. A Copa e sua alegria enquanto mortes e tristezas de irmão acontecendo... Pena! Linda poesia, bem reflexiva e colocando o dedo na consciência! abrços,chica

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  3. Amigo Daniel, boa noite de paz!
    Como foi num dia de jogo do Brasil, ficamos perdidos na alegria da vitória e ainda não estamos todos voltados para tamanha dor.
    Sempre há uma sensação que foi "longe" de nós...
    Deus se apiede deles e da nossa falta de empatia solidária.
    Tenha dias abençoados de julho!
    Abraços fraternos

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  4. É uma coisa recorrente nos assuntos de mesa aqui em casa;
    essa questão do deixar de sentir...
    Mas não é atoa que as máscaras do teatro tem a tristeza e o riso lado a lado.
    Eu ainda não me recuperei da covid, depois tivemos a enchente; a gente tem que se virar nos trinta para as não acumulações...
    Abordas um tema triste em forma de Arte.
    Boa entrada de mês.
    Paz e Bem.

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  5. - É alegria e lamento ao mesmo tempo, ainda mais quando se assiste um Jornal na TV. Que Deus possa confortar todos que estão sofrendo pelo ocorrido. Não consigo nem imaginar as dores de familiares e parentes dessas quase 2 mil pessoas. :-(

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  6. As imagens que nos chegam da Venezuela são brutais.
    Abraço

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  7. Um poema que toca a consciência.
    A verdadeira fratura é a da empatia quando o sofrimento alheio é esquecido.
    Parabéns por esta reflexão tão atual e necessária....

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  8. Boa tarde Daniel André
    Um poema de forte consciência humana, que nos recorda que a maior tragédia nem sempre é a da natureza, mas a da indiferença.
    Versos que convidam à reflexão e nos desafiam a nunca esquecer a dor do outro.
    Parabéns pela sensibilidade desta partilha.
    Boa semana em paz e com saúde.
    :)

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  9. Olá, Daniel, meus parabéns pela sua bela obra poética,
    que gostei muito de ler. Na verdade, fiz uma segunda
    leitura do belo0 poema.
    Um bom fim de semana, com muita paz.
    Um abraço, amigo.

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  10. Oi, Daniel! O mundo é uma dualidade que contrasta a tragédia de uns com a alegria de outros. Não precisamos nos culpar por isso, mas sim oferecer solidariedade àqueles que sofrem, como na tragédia que acontece na Venezuela. É como um poema, belo e trágico, refletindo essa dualidade da humanidade. Um abraço meu amigo.

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  11. Olá, caro Daniel.
    Uma enorme tragédia esta que se abateu sobre a Venezuela. Felizmente, ainda há solidariedade mundial, para ajudar nestes momentos críticos.
    Poema genial, descrevendo na sua essência, esta enorme tragédia.

    Grato pela visita e gentil comentário.
    Abraço fraterno, e bom fim de semana!

    Mário Margaride

    http:/poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  12. Daniel André captures such a haunting reality in this piece, especially with that striking image of goblets raised to the sky while empty hands wait beneath the rubble. The contrast between public celebration and private grief really makes you pause and reflect on how easily society can slide into collective forgetfulness. The idea that the most devastating earthquake is actually the hardening of the human heart is a powerful truth that lingers long after reading. It is a beautiful, necessary reminder to stay connected to the wounds of others, even when the rest of the world chooses to look away.

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  13. Casa bem com os dias de hoje, o momento atual da copa do Mundo. Um retrato fiel do contraste da nossa realidade.

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  14. Gostei muito do seu poema. Como me doeu dentro!

    Beijinhos.

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Agradeço a sua visita e comentário. Abraços, Dan.