Cantam
as arquibancadas.
A noite veste bandeiras.
Mas a terra, em silêncio,
recolhe seus filhos.
Há
taças erguidas ao céu
e mãos vazias sob os escombros.
Enquanto a glória sorri,
a dor aprende a esperar.
Que
vitória resiste
ao pranto de uma criança?
Que hino supera
o silêncio dos ausentes?
A
montanha abriu o peito.
As pedras disseram adeus.
E o vento levou consigo
os nomes que ainda chamavam.
Não
condeno a alegria.
Condeno o esquecimento.
Toda festa perde o brilho
quando ignora a ferida do outro.
O maior
terremoto, porém,
não rompe montanhas nem mares.
Nasce no coração humano
quando deixa de sentir.
Daniel
André
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