Às
seis da manhã,
até os raios de sol
bocejavam atrás das árvores.
Sentei
ao lado de uma mulher
num banco de ônibus
e a viagem resolveu conversar.
Falamos
de discos antigos da MPB,
de novelas que ainda moram na memória,
de astrologia,
de incensos que perfumam silêncios,
das dores que cada um aprende
a carregar sem alarde.
Também
perguntamos
quem somos nós
nessa imensidão
que nem desconfia do nosso nome.
O
ponto dela chegou.
Antes
de descer,
deixou um beijo no meu rosto
e sorriu:
—
Nosso santo bateu.
Isso é energia boa.
O
ônibus seguiu.
E
eu descobri
que há manhãs
em que o destino
compra passagem
só para lembrar
que dois desconhecidos
também podem florescer
por alguns quilômetros.
Daniel André.
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Agradeço a sua visita e comentário. Abraços, Dan.