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19 de junho de 2026

Junho



O frio acendeu seus passarinhos na fogueira,
e a noite vestiu remendos de estrela.
Na roça, o milho rezava seu ouro manso,
enquanto teu nome amadurecia no vento.
Eu te amei colhendo em silêncio,
e com as mãos cheias de terra e lua.

A sanfona derramava caminhos no escuro,
e os balões sonhavam alturas impossíveis.
Teu riso tinha cheiro de café coado,
e aquecia mais que qualquer brasa.

Junho me disse que o amor acontece
igual orvalho pousando devagar na relva.
Ele chega com seus casacos de saudade,
e deixou teu abraço morando em mim.
As estrelas estalaram como lenha antiga,
e o céu virou varanda para nossos desejos.
Desde então, toda festa junina é lembrança:
um coração dançando quadrilha dentro do outro.

Daniel André

16 comentários:

  1. Linda poesia e adorei os casacos de saudades...E são tantos!!! abraçoa, chica

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  2. Oi, Daniel! Bela poesia. As festas juninas são as melhores sem dúvida, essas festividades me fazem lembrar-me da minha infância. Que nostalgia boa de se lembrar, não é? Um abraço!

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  3. Olá André,
    As festas juninas despertam para quem conhece
    e realmente frequentou essas festas, "Casacos de saudades".
    Não é uma tradição da minha região mas adorava participar
    destas festas no centro-oeste.
    Adorei a imagem, de quem é o artista?
    Bom final de semana.

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  4. Um festejo celebrado na roça, lugar bem genuíno e popular.
    Continuação de bom fim de semana.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  5. Excelente poema! Obrigada pela partilha!
    -
    O SONHO ....
    -
    Beijos e um bom Domingo.

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  6. Amigo Daniel, boa noite de domingo!
    Como é linda a metáfora "casaco de saudade"!
    Junho quentinho de amáveis sensações.
    Tenha dias novos abençoados!
    Abraços fraternos

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  7. Oi, Daniel, que lindo poema, lembro bem dessas festas juninas na
    época da infância e adolescência, depois nas festinhas do colégio das crianças. Agora... nunca mais fomos! Apenas vemos o entusiasmo nos
    outros e a saudade no coração!
    Daniel... fiquei sensibilizada com esse poema - belíssimo!
    Quanto sentimento, quanta sensibilidade!
    Uma linda semana pra você, querido amigo.
    Fraterno abraço daqui do Sul.

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  8. André, esses passarinhos que brotam das fogueiras de São João, nos trazem belos trinados de amores que acontecem no frio de junho.

    Espetacular poema!!

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  9. Seu poema, André, revela a transcendência e finca raízes profundas ao capturar a essência mais pura das festas juninas. Longe de se apegar apenas ao registro folclórico, o eu lírico opera uma verdadeira transfiguração da cultura popular: fogueira, milho, sanfona, balões e café deixam de ser meros adereços cenográficos e convertem-se em uma metáfora sensível sobre o amor e a saudade. A força do texto reside exatamente nessa capacidade cirúrgica de transformar elementos rústicos e cotidianos em expressões altamente poéticas, sensoriais e universais, ressaltando a sensibilidade do poeta ao fundir o sentimento amoroso mais íntimo com a identidade cultural do interior brasileiro.
    O poema se articula através de passagens brilhantes que desafiam a lógica comum para abraçar a verdade do afeto. É assim que "O frio acendeu seus passarinhos na fogueira" e "A noite vestiu remendos de estrela", ao estabelecerem uma belíssima dualidade térmica e visual, reforçam o contraste entre o rigor do inverno e o calor dos sentimentos. Enquanto a noite se humaniza ao vestir-se com os retalhos típicos das roupas de quadrilha feitas de astros, o frio paradoxalmente incendeia a vida, sugerindo que o isolamento da estação é o combustível exato para a busca pelo aconchego.
    Essa conexão com o espaço físico se aprofunda quando a geografia da roça ganha ares de sagrado. Em "Na roça, o milho rezava seu ouro manso", a base da culinária junina assume uma dimensão de prece; o "ouro manso" deixa de ser apenas o grão maduro para representar a fartura pacífica, o tempo respeitado e a gratidão da terra. É nesse cenário de paciência agrícola que o sentimento amoroso se desenvolve: "Enquanto teu nome amadurecia no vento" e as "Mãos cheias de terra e lua" revelam um eu lírico que não ama de forma abstrata, mas que constrói seu afeto no labor diário, tocando simultaneamente o chão arado e o mistério celeste.
    A transição para a festa e para a memória se dá através dos sentidos. Quando o poeta escreve que "A sanfona derramava caminhos no escuro", a música assume uma propriedade física e norteadora, capaz de rasgar a escuridão da noite e do esquecimento. Essa sinestesia ganha força total no verso "Teu riso tinha cheiro de café coado", uma imagem primorosa onde o som da alegria alheia evoca imediatamente o paladar, o olfato e o conforto doméstico das manhãs caipiras — um riso que, essencialmente, abriga e conforta. O amor junino aqui descrito recusa os arrebatamentos destrutivos; ele é feito de paciência, silêncio e suavidade, manifestando-se "Igual orvalho pousando devagar na relva".
    Contudo, a ausência física impõe a sua presença poética por meio dos "Casacos de saudade", onde a falta do outro é personificada como uma vestimenta necessária para enfrentar a crueza dos dias frios. Diante disso, o abraço deixa de ser um gesto passageiro e efêmero: ele cria raízes, tornando-se um lugar físico, uma "morada permanente na alma do eu lírico".
    No fecho, o cenário limitado da roça se expande para a imensidão do infinito, ao mesmo tempo em que internaliza a festa no peito do homem. Ao afirmar que "As estrelas estalaram como lenha antiga", o poeta projeta o estalo da fogueira de São João no próprio cosmos. Há uma fusão total e mística entre a terra e o céu; o firmamento se transforma em uma "varanda", um espaço aberto de contemplação e abrigo para os desejos humanos. Por fim, a cereja do bolo plasticamente perfeito: "Um coração dançando quadrilha dentro do outro". A quadrilha, enquanto dança coletiva de passos marcados, idas, vindas e evoluções coreografadas, vira a metáfora exata do sincronismo amoroso e da reciprocidade. Os corações dançam juntos, no mesmo ritmo e no mesmo terreiro interno, celebrando a memória viva daquela festa que, tendo ultrapassado as barreiras do tempo, agora habita e pulsa eternamente dentro deles.
    Poema belíssimo! Um abraço,

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  10. Um poema imensamente belo Daniel!!
    Você captou de forma brilhante o clima das festas juninas, depositando toda a sua beleza em versos alegres e repletos de uma imensa nostalgia...
    As lembranças das festas juninas realmente deixam o coração apertado...só mesmo aquecendo com um "casaco repleto de saudade"
    Amei André, você sempre brilhante!!
    Maravilhosos festejos juninos para você!! :)))))

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  11. Meu querido amigo Dan,
    Essa época do ano tem sabor de nostalgia, de relembrar o passado, o nosso tempo de infância, os namoricos de criança e a comilança das iguarias das festas juninas. Com a sua sensibilidade você conseguiu reunir tudo isso na mesma poesia e aqueceu os nossos corações mais do que a fogueira de São João. Sempre muito bom te visitar meu amigo, aqui eu me sinto em casa!
    Um abraço!

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  12. Uma bela arte como uma loa ao inverno, que aos teus olhos vem acender poesia em cada canto desta nação.
    Lindo trabalho da poesia.
    Abraços

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  13. Um poema onde o amor dança ao ritmo de Junho.
    As imagens, os aromas e as tradições entrelaçam-se com delicadeza, criando uma atmosfera de ternura e saudade.
    Gostei muito desta leitura. Parabéns!.......

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  14. Boa tarde Daniel André
    Há uma bela harmonia entre a memória afectiva e a poesia neste texto. Junho deixa de ser apenas um mês para se transformar num lugar onde o amor permanece aceso.
    Belo poema.
    Boa semana em paz e com saúde.
    :)

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  15. Parece que você tem boas memórias das festas juninas? Ou é presente. De qualquer forma, fica o registro bom.

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Agradeço a sua visita e comentário. Abraços, Dan.