O
frio acendeu seus passarinhos na fogueira,
e a noite vestiu remendos de estrela.
Na roça, o milho rezava seu ouro manso,
enquanto teu nome amadurecia no vento.
Eu te amei colhendo em silêncio,
e com as mãos cheias de terra e lua.
A sanfona derramava caminhos no escuro,
e os balões sonhavam alturas impossíveis.
Teu riso tinha cheiro de café coado,
e aquecia mais que qualquer brasa.
A sanfona derramava caminhos no escuro,
e os balões sonhavam alturas impossíveis.
Teu riso tinha cheiro de café coado,
e aquecia mais que qualquer brasa.
Junho
me disse que o amor acontece
igual orvalho pousando devagar na relva.
Ele chega com seus casacos de saudade,
e deixou teu abraço morando em mim.
As estrelas estalaram como lenha antiga,
e o céu virou varanda para nossos desejos.
Desde então, toda festa junina é lembrança:
um coração dançando quadrilha dentro do outro.
Daniel André
Linda poesia e adorei os casacos de saudades...E são tantos!!! abraçoa, chica
ResponderExcluirOi, Daniel! Bela poesia. As festas juninas são as melhores sem dúvida, essas festividades me fazem lembrar-me da minha infância. Que nostalgia boa de se lembrar, não é? Um abraço!
ResponderExcluirOlá André,
ResponderExcluirAs festas juninas despertam para quem conhece
e realmente frequentou essas festas, "Casacos de saudades".
Não é uma tradição da minha região mas adorava participar
destas festas no centro-oeste.
Adorei a imagem, de quem é o artista?
Bom final de semana.
Amores de Verão quem os não tem??
ResponderExcluirUm festejo celebrado na roça, lugar bem genuíno e popular.
ResponderExcluirContinuação de bom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Excelente poema! Obrigada pela partilha!
ResponderExcluir-
O SONHO ....
-
Beijos e um bom Domingo.
Amigo Daniel, boa noite de domingo!
ResponderExcluirComo é linda a metáfora "casaco de saudade"!
Junho quentinho de amáveis sensações.
Tenha dias novos abençoados!
Abraços fraternos
Oi, Daniel, que lindo poema, lembro bem dessas festas juninas na
ResponderExcluirépoca da infância e adolescência, depois nas festinhas do colégio das crianças. Agora... nunca mais fomos! Apenas vemos o entusiasmo nos
outros e a saudade no coração!
Daniel... fiquei sensibilizada com esse poema - belíssimo!
Quanto sentimento, quanta sensibilidade!
Uma linda semana pra você, querido amigo.
Fraterno abraço daqui do Sul.
André, esses passarinhos que brotam das fogueiras de São João, nos trazem belos trinados de amores que acontecem no frio de junho.
ResponderExcluirEspetacular poema!!
Seu poema, André, revela a transcendência e finca raízes profundas ao capturar a essência mais pura das festas juninas. Longe de se apegar apenas ao registro folclórico, o eu lírico opera uma verdadeira transfiguração da cultura popular: fogueira, milho, sanfona, balões e café deixam de ser meros adereços cenográficos e convertem-se em uma metáfora sensível sobre o amor e a saudade. A força do texto reside exatamente nessa capacidade cirúrgica de transformar elementos rústicos e cotidianos em expressões altamente poéticas, sensoriais e universais, ressaltando a sensibilidade do poeta ao fundir o sentimento amoroso mais íntimo com a identidade cultural do interior brasileiro.
ResponderExcluirO poema se articula através de passagens brilhantes que desafiam a lógica comum para abraçar a verdade do afeto. É assim que "O frio acendeu seus passarinhos na fogueira" e "A noite vestiu remendos de estrela", ao estabelecerem uma belíssima dualidade térmica e visual, reforçam o contraste entre o rigor do inverno e o calor dos sentimentos. Enquanto a noite se humaniza ao vestir-se com os retalhos típicos das roupas de quadrilha feitas de astros, o frio paradoxalmente incendeia a vida, sugerindo que o isolamento da estação é o combustível exato para a busca pelo aconchego.
Essa conexão com o espaço físico se aprofunda quando a geografia da roça ganha ares de sagrado. Em "Na roça, o milho rezava seu ouro manso", a base da culinária junina assume uma dimensão de prece; o "ouro manso" deixa de ser apenas o grão maduro para representar a fartura pacífica, o tempo respeitado e a gratidão da terra. É nesse cenário de paciência agrícola que o sentimento amoroso se desenvolve: "Enquanto teu nome amadurecia no vento" e as "Mãos cheias de terra e lua" revelam um eu lírico que não ama de forma abstrata, mas que constrói seu afeto no labor diário, tocando simultaneamente o chão arado e o mistério celeste.
A transição para a festa e para a memória se dá através dos sentidos. Quando o poeta escreve que "A sanfona derramava caminhos no escuro", a música assume uma propriedade física e norteadora, capaz de rasgar a escuridão da noite e do esquecimento. Essa sinestesia ganha força total no verso "Teu riso tinha cheiro de café coado", uma imagem primorosa onde o som da alegria alheia evoca imediatamente o paladar, o olfato e o conforto doméstico das manhãs caipiras — um riso que, essencialmente, abriga e conforta. O amor junino aqui descrito recusa os arrebatamentos destrutivos; ele é feito de paciência, silêncio e suavidade, manifestando-se "Igual orvalho pousando devagar na relva".
Contudo, a ausência física impõe a sua presença poética por meio dos "Casacos de saudade", onde a falta do outro é personificada como uma vestimenta necessária para enfrentar a crueza dos dias frios. Diante disso, o abraço deixa de ser um gesto passageiro e efêmero: ele cria raízes, tornando-se um lugar físico, uma "morada permanente na alma do eu lírico".
No fecho, o cenário limitado da roça se expande para a imensidão do infinito, ao mesmo tempo em que internaliza a festa no peito do homem. Ao afirmar que "As estrelas estalaram como lenha antiga", o poeta projeta o estalo da fogueira de São João no próprio cosmos. Há uma fusão total e mística entre a terra e o céu; o firmamento se transforma em uma "varanda", um espaço aberto de contemplação e abrigo para os desejos humanos. Por fim, a cereja do bolo plasticamente perfeito: "Um coração dançando quadrilha dentro do outro". A quadrilha, enquanto dança coletiva de passos marcados, idas, vindas e evoluções coreografadas, vira a metáfora exata do sincronismo amoroso e da reciprocidade. Os corações dançam juntos, no mesmo ritmo e no mesmo terreiro interno, celebrando a memória viva daquela festa que, tendo ultrapassado as barreiras do tempo, agora habita e pulsa eternamente dentro deles.
Poema belíssimo! Um abraço,
Um poema imensamente belo Daniel!!
ResponderExcluirVocê captou de forma brilhante o clima das festas juninas, depositando toda a sua beleza em versos alegres e repletos de uma imensa nostalgia...
As lembranças das festas juninas realmente deixam o coração apertado...só mesmo aquecendo com um "casaco repleto de saudade"
Amei André, você sempre brilhante!!
Maravilhosos festejos juninos para você!! :)))))
Meu querido amigo Dan,
ResponderExcluirEssa época do ano tem sabor de nostalgia, de relembrar o passado, o nosso tempo de infância, os namoricos de criança e a comilança das iguarias das festas juninas. Com a sua sensibilidade você conseguiu reunir tudo isso na mesma poesia e aqueceu os nossos corações mais do que a fogueira de São João. Sempre muito bom te visitar meu amigo, aqui eu me sinto em casa!
Um abraço!
Uma bela arte como uma loa ao inverno, que aos teus olhos vem acender poesia em cada canto desta nação.
ResponderExcluirLindo trabalho da poesia.
Abraços
Um poema onde o amor dança ao ritmo de Junho.
ResponderExcluirAs imagens, os aromas e as tradições entrelaçam-se com delicadeza, criando uma atmosfera de ternura e saudade.
Gostei muito desta leitura. Parabéns!.......
Boa tarde Daniel André
ResponderExcluirHá uma bela harmonia entre a memória afectiva e a poesia neste texto. Junho deixa de ser apenas um mês para se transformar num lugar onde o amor permanece aceso.
Belo poema.
Boa semana em paz e com saúde.
:)
Parece que você tem boas memórias das festas juninas? Ou é presente. De qualquer forma, fica o registro bom.
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