Do Último Andar

Do ultimo andar, ele acende outro cigarro.
A lata de cerveja sua na mão da tarde.
A cidade passa devagar sob seus olhos cansados.
Na praça, as senhoras espalham ração entre os
bancos.
Os gatos surgem das sombras, magros e atentos.
Há uma ternura antiga naquele ritual sem plateia.
O porteiro da escola observa tudo.
Encostado ao portão azul, guarda o movimento da rua.
Nos seus olhos mora um respeito silencioso.
As senhoras nem percebem.
Continuam repartindo afeto em pequenos punhados.
Os gatos recebem o mundo sem fazer perguntas.
As crianças chegam aos poucos.
Algumas correm. Outras arrastam mochilas maiores que os sonhos.
Todas sorriem ao encontrar o porteiro na entrada.
Ele sabe os nomes, os atrasos, as tristezas.
Lá do alto, o homem do cigarro vê a cena inteira.
E por um instante a cidade parece merecer mais um dia.
Daniel André.
Lá do último andar ele todo cenário observa! Há tanto a ver! Linda poesia! abraços, tudo de bom,chica
ResponderExcluirAs câmaras de vigilância dos tempos antigos
ResponderExcluirOi, Daniel! Profundo, estimulante e muito bem escrito o seu poema amigo. As camadas presentes revelam mais que palavras, revelam a alma. Gostei bastante! Excelente! Um abraço!
ResponderExcluirHá qualquer coisa de muito humano neste olhar sobre a cidade 😊
ResponderExcluirDo alto, tudo parece mais cru e ao mesmo tempo mais terno, como se cada pequeno gesto escondesse uma espécie de cuidado silencioso que quase ninguém repara. Gostei especialmente dessa imagem do porteiro e das senhoras, há ali uma dignidade simples que sustenta o dia sem fazer barulho.
Beijinho na alma,
Daniela Silva | Alma Leve
Acho muito lindo este olhar sobre o cotidiano de uma cidade em seus movimentos. Um poema que a imagem pode ser a inspiração.
ResponderExcluirBelo trabalho Daniel.
Abraços amigo.
Muito bom.
ResponderExcluirPor vezes é preciso quedar-nos a observar o mundo à nossa volta. Isso nos torna mais enriquecidos.
Beijinhos e tudo de bom!
É na observação que acontece as mágicas, kkk.
ResponderExcluirObservamos e somos observados.
Seus poemas encantam.