Não olhe a blusa aberta ao acaso,
nem a rosa discreta no bolso.
Finge que nada vê
embora tudo te chame.
Sente só a timidez que nasce,
o rubor que mal se contém.
O desejo fica quieto,
respirando atrás das palavras.
Guarda tua flor secreta
no canto onde ninguém chega.
Há um amor tímido em mim,
clareando como pedra rara.
Toca devagar meu silêncio,
escuta o perfume que digo sem voz.
Beija, mas com olhos que entendem
o dom antes da febre.
Não me leia só como chama.
Vê o homem inteiro, inteiro em intenção.
E vem: que a emoção nos misture
na alquimia simples do coração.
Daniel André / 2014