Na varanda do meu sorriso,
o dia alaranjado se despede,
e no fim suave de um domingo,
recebo um beijo astral do meu amor.
A vida, em perfeita sincronia, respira:
as estrelas, tímidas, despontam no céu,
famílias rezam à mesa e a carrocinha
de algodão-doce toca La Vie en Rose.
As araras seguem rumo ao horizonte,
desaparecem nas asas da noite que chega,
recolhendo, no silêncio, toda vida
para o repouso sagrado do escuro.
Dentro de mim, a solidão do universo
se esconde, mas carrego, em riso aberto,
o estandarte invisível da felicidade
no brilho sereno do meu olhar.
As begônias cochicham com as marias-sem-vergonha,
árvores bocejam preguiçosas no quintal,
e no ar, um doce perfume de jambo
me leva às memórias do que é essencial.
O balde vem cheio da água do poço,
estou nu, com um colar de osso.
A lua prateada escorre sobre meu corpo,
banho-me em bênçãos, de alma e de rosto.
Daniel André
