No âmago da alma, um vazio ressoa
ausência de amor, dor que não se cala.
O coração, sedento, se desmorona,
na falta de um toque que o embale e embala.
Ecoa a saudade num canto ferido,
clamor silencioso, quase oração.
O peito busca um gesto, um abrigo,
mas só encontra ecos e solidão.
Anseia-se um olhar que seja sincero,
um afeto que chegue e se demore,
um amor que venha inteiro, mesmo incerto
mas a ausência aperta e não socorre.
Ó carência, cruel companheira da noite,
sugando a calma, abalando a razão,
lembras que a vida é breve, feito açoite
e corta fundo… sem pedir permissão.
Mas ainda, lá dentro, uma chama respira.
Esperança, tênue, mas verdadeira:
que um dia venha alguém, feito brisa ou fogo,
e cure essa fome inteira
com amor sincero,
e toque duradouro.
Daniel André
