Costuro com fios de ouro as vísceras
da paixão, abertas em sangrante ardor;
lá fora, a chuva canta na janela,
acalma os tremores da falta e dor.
Ancestrais sussurram em silêncio puro:
o ego não luta por vã vitória,
aprendeu que a paz não se toma à força,
ausenta-se, cria asas, volta em glória.
Com mãos suspensas ao tempo, entrego o jogo,
aceito o mistério em humilde prece;
o elixir da dor não jaz nas respostas,
mas nas gotas que o tempo deixa em prece
sobre a pele do coração, em sagrado fluxo.
No vazio, o autoamor floresce.
Daniel André