Navego em ventos de flores abertas,
embriagado em cânticos de poesia.
Se a dor me alcança ou a alegria desperta,
sou romântico por essência, por teimosia.
Não me importam os mares já passados
se foram calmarias ou revoltos temporais.
A vida, em seu mistério entrelaçado,
só encontra sentido nos gestos reais.
A vastidão dos oceanos me chama,
com horizontes que fogem do olhar.
E eu, sonhador em alma e em trama,
me deixo levar, sigo a velejar.
Mesmo que o leme escape à razão,
ou que o tritão negue seu canto antigo,
o que busco é simples: abrigo,
no porto calmo de um seguro coração.
