No inverno da vida,
eles ainda acordam cedo.
Não por costume
mas para ver o dia nascer,
como quem confirma que o mundo continua.
Dois corpos frágeis,
duas sombras longas
na varanda do tempo.
O amor, agora, é silêncio com cheiro de café.
As rugas não pesam
são lembranças que ficaram na pele
porque não cabiam mais no peito.
Eles se tocam com cuidado,
como se o outro fosse feito de memória.
E talvez seja.
Entre uma canção antiga e o chiado da chaleira,
sabem: a eternidade cabe em uma manhã compartilhada.
Quando o sol se dissolve na cortina,
eles adormecem
não como quem parte,
mas como quem enfim descansa
do milagre de permanecer.
Daniel André - 08Agosto13
