Em tempos de dor e desespero,
um grito sem voz rasga o silêncio:
genocídios marcham sob a névoa do cinismo,
e a justiça, cega, tropeça em escombros.
A vida, frágil joia entre destroços,
ainda brilha no olhar dos que resistem.
A paz — sonho desacreditado —
cobiça de quem só conheceu ruína.
Terra exausta, uma nação sem rosto,
onde o Estado é miragem e o abrigo, trincheira.
Mísseis de ódio riscam o céu,
mas a esperança insiste em nascer entre ruínas.
Famílias se partem feito espelhos ao chão,
em um mar de lágrimas que nunca seca.
E quem ousa sentir, denunciar, amar —
vira "persona non grata", um incômodo vivo.
Mas há quem escolha não desviar o olhar,
abraçando a dor alheia como se fosse sua.
Pois enquanto houver um coração que sangra junto,
há resistência, há empatia, há futuro.
Daniel André
