Sem
fôlego para acender luzes,
Limito-me a aprender e escutar;
O circo ao meu redor
empurra-me para o labirinto das distrações.
O silêncio agora mestre
instala raízes no peito;
o semblante, mármore frio,
guarda o palhaço cansado de si.
O dia não ousou sorrir,
e a noite, preguiçosa, demora a partir.
A alegria, ave arisca,
pousa breve e logo se desfaz no vento.
Sopro as nuvens pesadas
que arrastam tempestades e melancolia;
e, quando o riso germina na face,
o sol derrama ouro sobre minha pele.
De volta à arena,
lanço flores como quem semeia auroras;
o picadeiro ergue o palhaço,
e as gargalhadas estouram
como fogos no céu da memória.
— Daniel André
