Guardei tuas cartas gastas
no velho pote rachado
papéis que respiravam teu nome
como sussurros adormecidos.
O tempo as desfez em amarelo,
como lenços esquecidos na gaveta.
E eu, sentado na brisa da memória,
olhava o passado pela janela.
Abri o pote, enfim.
Deixei que tudo voasse:
as letras, a saudade,
as borboletas que restaram.
E compreendi
lembrança não parte:
cria raiz.
Daniel André 01Out13
