Atravessei uma tempestade de pétalas para mergulhar nas correntezas, que faziam o mapa do espectro de minhas emoções.
Não percebi, estava eu, dentro de mim.
Desejei que o seu desejo dominasse o meu corpo, porque ambos se completam, embriagam, fazendo transbordar de mim todo o vazio existencial.
Ganho vida, toda vez que me olha com seus olhos coloridos de sonhos e de sermos o que somos.
Senti o silêncio ninar nossa ansiedade e meus dedos percorriam o contorno do seu rosto, o qual desenhei a nossa história no relevo do seu corpo.
Plantas nascem dos seus arrepios e sorrisos piscam da nossa sintonia. Nossas almas tornam-se uma mistura homogênea formando uma única essência: o amor.
Nenhum amor é igual, são singulares e o nosso é um código binário, histórico, cármico, inigualável.
Demorei, mas entendi.
A intimidade do nosso tempo, trouxe a necessidade que se afirma em sermos cada vez mais um pronome possessivo na vida do outro.
Daniel André.