28 de abril de 2013

Laço da sua tristeza




O quadro angustiado daquela garota
Fez-me lembrar da sua triste solidão
Que laça o meu corpo, meu pescoço
Sem alternativas de fuga para meu coração

Por favor, quero seguir os raios do sol
Nem não chame meu nome, tão desanimada
Porque retrocedo por amor a sua carência
Deixa-me seguir minha vida, oh amada.

Tenho planos de respirar um novo amor
O nosso transformou-se num rio sem vida
Sua tristeza desmonta minha estrutura
Fazendo-me um quadro de feridas.

Não me venha com semblante misantrópico
Dizendo coisas que gosto tanto de ouvir
Nossa cama ainda pode ser quente
Minha alegria não deseja mais te servir.   

Seja forte como eu estou tentando ser
Nossa historia daqui adiante já terminou
Se não deu valor ao que tinha no passado
Respeite o que de bom ainda restou.

Daniel André 

25 de abril de 2013

O Homem que assistia novela




Era sempre a mesma gargalhada:
João, o escárnio de seus colegas!
Quando o relógio dava oito horas
Dizia: ate logo, vai começar a novela!

Poderia estar numa mesa com amigos
Torcendo para seu time da segunda divisão
Na euforia dos gritos saia de fininho
Para mais um dia de trama na televisão.

Sorria alto quando tinha cenas engraçadas
Chorou baixo quando a mocinha foi raptada
A sua mulher, toda prosa, adorava
E João, sentado no sofá ficava.

Quando mais um capítulo ia embora
Com pressa para rua ia correndo
Novela não é coisa de homem, diziam!
Com o olhar furioso, já iria se defendendo.

Não é uma história de amor na TV
Que desfaz um homem honrado
Sou pai de família, mereço respeito
Nos aplausos voltou a ser aclamado!

Daniel André.

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Para embalar a poesia, sugiro que ouçam a música: "Fugiu com a novela", na deliciosa voz da Vanessa da Mata. 


Refém de mim



Tenho me comportado como indeciso
Andando distraído, inquieto e pensativo
Chamam-me para andar na cidade
Mas no momento na sala eu reflito.

Chances desperdiçadas ficaram lá atrás
As amizades conquistadas, não há mais
Também não provarei nada a ninguém
Que de mim mesmo, sou o meu refém.

Debaixo da luz desse abajur
Meus neurônios vão se esclarecendo
Que os anos correm, os dias voam
A idade da velhice não é meu tormento.
  
Cogito os próximos capítulos do futuro
Aqui na minha sala escura fico zen
No meu presente está tudo confuso
E a noite vai sumindo, o sono não vem.

Quem será essa pessoa meditando?
Nada mais é que um ser do bem
Um símbolo de dúvidas, suponho
Transformada em seu próprio refém.


Esse careca da foto, posando de intelectual sou eu mesmo. A foto foi tirada pelo fotógrafo e amigo, Nil Barros para essa poesia que já tinha em mente. Enfim, agradeço de coração a todos que tem visitado o meu blog. Saudações TRICOLORES ! Dan.

24 de abril de 2013

As suas palavras dóceis




Às vezes o desalento me assombra
E somente elogios me devolvem a imunidade
Das silabas saídas de sua boca
Vão me resgatando da insanidade

Antes que a noite chegue
Melodicamente diga-me que me ama
Com suas palavras tão dóceis
Quero deitar em minha cama

Gosto de sentir aclamado com seus verbos
De ouvir seu ânimo em poesias
Você me eleva com palavras perseverantes
E delas faço degraus de ousadia

Em nossa atmosfera adjetivada
Apenas dóceis palavras, não rebateremos azedumes,
Polvilhadas de paixão e romantismo
Purificadas com os nossos perfumes.

Troquemos carícias e também substantivos
Sussurros de exaltação ditos ao pé do ouvido
Nesse cantinho escuro fico apreciando
Agora em elogios eu te revido.