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Vou mostrando como sou, e vou sendo como posso. Insta: @danielrprj

8 de agosto de 2013

Dois velhinhos


No inverno da vida,
eles ainda acordam cedo.
Não por costume 
mas para ver o dia nascer,
como quem confirma que o mundo continua.

Dois corpos frágeis,
duas sombras longas
na varanda do tempo.
O amor, agora, é silêncio com cheiro de café.

As rugas não pesam
são lembranças que ficaram na pele
porque não cabiam mais no peito.

Eles se tocam com cuidado,
como se o outro fosse feito de memória.
E talvez seja.

Entre uma canção antiga e o chiado da chaleira,
sabem: a eternidade cabe em uma manhã compartilhada.

Quando o sol se dissolve na cortina,
eles adormecem
não como quem parte,
mas como quem enfim descansa
do milagre de permanecer.


Daniel André - 08Agosto13