O frio acendeu seus
passarinhos na fogueira,
e a noite vestiu remendos de estrela.
Na roça, o milho rezava seu ouro manso,
enquanto teu nome amadurecia no vento.
Eu te amei como quem colhe silêncio,
com as mãos cheias de terra e lua.
A sanfona derramava caminhos
no escuro,
e os balões sonhavam alturas impossíveis.
Teu riso tinha cheiro de café coado,
e aquecia mais que qualquer brasa.
Junho me disse que o amor acontece
igual orvalho pousando devagar na relva.
Junho chega com seus casacos
de saudade,
e deixou teu abraço morando em mim.
As estrelas estalaram como lenha antiga,
e o céu virou varanda para nossos desejos.
Desde então, toda festa junina é lembrança:
um coração dançando quadrilha dentro do outro.
Daniel André
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Agradeço a sua visita e comentário. Abraços, Dan.