Quem levanta cedo e sua
Sem ter nome no jornal
É quem move esse Brasil
Com esforço colossal.
Mas a elite do atraso
Só enxerga o capital.
O gari limpa a cidade,
Tão herói quanto soldado,
Mas recebe em troca o quê?
Um salário rebaixado.
Enquanto o luxo desdenha,
Ele é sempre ignorado.
No shopping, tem trabalhador
Preso em dia promocional,
Nem domingo tem sossego,
Nem direito ao natal.
O descanso é só promessa
Num contrato desigual.
Garçom serve mesa rica
Com sorriso no olhar,
Mas por dentro vai calado
Com vontade de gritar.
Pois nem sempre o bom serviço
Faz alguém melhorar.
E a escala 6 por 1
Já virou prisão moderna.
“Um dia de descanso!”
Mas só na ponta da perna.
É promessa que se quebra
Quando o patrão já governa.
E lá no fundo da história
Ecoa a voz de um rapaz:
Chamado Karl Marx na lida,
Lutando por algo eficaz:
Que o trabalhador tenha
Liberdade, pão e paz.
Pois é quem trabalha duro
Que mantém a roda viva.
Não é banqueiro em gravata,
Nem promessa ilusiva.
É suor que move o mundo,
É a base mais ativa!
— Daniel André
