Subo.
A alma leve, o coração quente,
e meia dúzia de versos
para fingir que sei o caminho.
Piso a fé como quem pisa pedra.
O silêncio me acompanha
e as palavras empurram
quando o fôlego não quer.
Toco o alto
não o divino em si,
mas um gesto dele
gravado em rocha e vento.
Peço o óbvio: amor inteiro,
respeito calmo, paz que viva.
Desço outro.
Trago um resto de céu na mão
e a ideia teimosa
de que, se tentarmos,
a gente ainda pode ser irmão.
Daniel André 2014