4 de fevereiro de 2018

Na barba de todo homem


Na barba de todo homem
um guerreiro primitivo
em sua caverna particular
ermo
nem sempre combativo.

Imitação rupestre, 
desenhada
muito cheia ou com quase nada
expressão latente
da masculinidade.

Na barba de todo homem
um neandertal escondido
desejo de ser exclusivo,
o herói corajoso,
e apaixonado.

Daniel André

30 de outubro de 2016

Redemoinho


De qualquer forma,
o passado deve estar bem resolvido
para que não haja conflito
entre o presente e futuro.

Existem laços,
que não são amarrados
uma frase no muro: receberás um castigo!
É a insistência oposição
balança mental - razão e emoção,
roda cármica, que comanda o coração.

Uma tesoura corta o tempo,
fotografias e caligrafias escorrendo
minhas mãos vestem o meu rosto,
me protegem do redemoinho poluente
e as águas nascentes
ainda brotam em mim.

Daniel André

7 de maio de 2016

A caverna de mim

A entrada da caverna é estonteante
Encanta a alma e a retina
Hortênsias gentis, violetas receptivas, 
sensitivas.

No interior o mistério não amedronta
Com figuras rupestres pintadas a sangue
E incontáveis estalactites chorosas, 
intumescidas.

As estranhas formas de vida
Desconhecem o otimismo do sol
E abrigam uma triste escuridão, 
solidão.

A cegueira que me condiciona ao tato,
Faz-me privar da ilusória visão
O grito ecoante me dá rumo, 
sumo.

Nesse caminho, um fim
Abrilhantado por pedras preciosas
Lapidadas em um disfarçado sorriso, 
finjo.

Daniel André


28 de fevereiro de 2016

Zazen


O véu do oceano desconhecido
abre o céu das ocultas verdades
Nam myho rengue kyo
que chova generosidade.

A humanidade aflita
vão se perdendo uns aos outros
no elo da grande corrente
penso, rezo, ouço.

O arcabouço da vida
se desenvolve de uma simples muda
sou mais um ponto luminoso,
zazen, na mão de Buda.

Daniel André.



                                          Disco Outras Palavras - Caetano Veloso - Blues
 

16 de dezembro de 2015

Soldado ferido




Tiros e pedradas de ingratidão
vão causando rachaduras,
fendas enormes surgem
em minha égide de gentileza.
No campo de batalha,
Onde as botas de couro vozeiam,
e cordões umbilicais enforcam
Não há espaço para pieguices.
Nem todo adversário
consegue um tiro certeiro.
Até derrubo alguns,
em meu coração hospitaleiro.
Cansado de guerras sem motivos
eclodo a luz da razão
desarmo a aparente hostilidade.
Afogado por uma lágrima,
coração remendado feito pano velho
sigo de cabeça ereta,
punhos de fogo,

eu, soldado ferido.

Daniel André

9 de dezembro de 2015

Um de nós



Um homem fuma seu cigarro
O outro toma a sua bebida
Ambos sozinhos no mundo
Questionando o “porque” da vida.

Uma mulher voa na rua,
Entre as cortinas da madrugada
Pensa e chora bastante
Por nunca ter sido amada.

O jovem excluído por todos
Não queria ter existido
No seu mundo de fantasias
Andará sempre ferido.

Equilibradas doses,
De humildade e compaixão
São antídotos poderosos
Para os erros e a solidão.


Daniel André.




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Gosto muito dessa linda canção do ABBA, para ilustrar a minha escrita. Abraços amigos !


28 de novembro de 2015

Zangões



Dois bravos sem colméia
expulsos, e sem ferrão
unem forças e vivem juntos
presas de amor,
presas de paixão.

Diante da flor mais bela,
criam o seu próprio reino
extasiados e não zangados,
o amor é belo, e não é feio.

Nas brisas montanhosas,
no frescor das flores
um voo nupcial,
dois zangões ...
Polinizam amores.

Daniel André





Milton Nascimento - Paula e Bebeto (Qualquer maneira de amor vale a pena). Abraços meus amigos, fiquem na paz.