28 de fevereiro de 2016

Zazen


O véu do oceano desconhecido
abre o céu das ocultas verdades
Nam myho rengue kyo
que chova generosidade.

A humanidade aflita
vão se perdendo uns aos outros
no elo da grande corrente
penso, rezo, ouço.

O arcabouço da vida
se desenvolve de uma simples muda
sou mais um ponto luminoso,
zazen, na mão de Buda.

Daniel André.



                                          Disco Outras Palavras - Caetano Veloso - Blues
 

16 de dezembro de 2015

Soldado ferido




Tiros e pedradas de ingratidão
vão causando rachaduras,
fendas enormes surgem
em minha égide de gentileza.
No campo de batalha,
Onde as botas de couro vozeiam,
e cordões umbilicais enforcam
Não há espaço para pieguices.
Nem todo adversário
consegue um tiro certeiro.
Até derrubo alguns,
em meu coração hospitaleiro.
Cansado de guerras sem motivos
eclodo a luz da razão
desarmo a aparente hostilidade.
Afogado por uma lágrima,
coração remendado feito pano velho
sigo de cabeça ereta,
punhos de fogo,

eu, soldado ferido.

Daniel André

9 de dezembro de 2015

Um de nós



Um homem fuma seu cigarro
O outro toma a sua bebida
Ambos sozinhos no mundo
Questionando o “porque” da vida.

Uma mulher voa na rua,
Entre as cortinas da madrugada
Pensa e chora bastante
Por nunca ter sido amada.

O jovem excluído por todos
Não queria ter existido
No seu mundo de fantasias
Andará sempre ferido.

Equilibradas doses,
De humildade e compaixão
São antídotos poderosos
Para os erros e a solidão.


Daniel André.




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Gosto muito dessa linda canção do ABBA, para ilustrar a minha escrita. Abraços amigos !


28 de novembro de 2015

Zangões



Dois bravos sem colméia
expulsos, e sem ferrão
unem forças e vivem juntos
presas de amor,
presas de paixão.

Diante da flor mais bela,
criam o seu próprio reino
extasiados e não zangados,
o amor é belo, e não é feio.

Nas brisas montanhosas,
no frescor das flores
um voo nupcial,
dois zangões ...
Polinizam amores.

Daniel André





Milton Nascimento - Paula e Bebeto (Qualquer maneira de amor vale a pena). Abraços meus amigos, fiquem na paz.

24 de novembro de 2015

Igrejinha


Igrejinha toda linda
Envolvida no verde silvestre
Bordada no cantar do uirapuru
E com belos desenhos rupestres.

Por séculos no pulmão da floresta
Carrega o ar de um lindo passado
A fé sempre será a defesa
De um povo que vive animado.

A igrejinha alimenta sonhos
Com os batismos celebrados
e romarias que comemoram
os amores ali canonizados.

Daniel André





E para acompanhar o cenário poético de "Igrejinha", Jesus, alegria dos homens de J.S.Bach.