30 de outubro de 2015

Finitude



É necessário sair de cena,
apagar as luzes da ribalta, e se
sentirem a minha falta
procuram-me na pulsante dor
da saudade.

É necessário ser um átomo,
Estar invisível aos olhares medíocres,
Esconder-se nas palavras,
Sumir.

É necessário morrer,
Sentir-se abraçado pelos cravos,
E quando renascer
que meu desalento,
seja evaporado.

Daniel André 

17 de agosto de 2015

Que seja doce



É doce
todos os nossos passeios à noite
na presença da lua cheia
- Grãos de estrelas –
e nós dois
na roda gigante de um amor
sempre leve e com ritmadas batidas
de nossos corações. Simples notas.

É doce
todo nosso romântico encontro
de mãos dadas e olhos sorridentes
enamorados numa terna canção
embalada com a luz de nossas almas
perdidas no encanto lírico meu e seu
amar em silêncio.

Daniel André.

14 de agosto de 2015

Novas trilhas


Minha alma,
com sede de novas trilhas
quer passear de bicicleta. E vai...
Rumo àquela árvore torta,
perdida nas pestanas das montanhas
onde o vento desenha caminhos sinuosos
junto das gaivotas
que se perdem no piscar do sol.
Sinto a seda do vento perfumada
com flores e joaninhas,
beijando meu rosto sorridente.
O cenário de verde vida
aroma gentilmente inocente
me saudava com longos abraços
verdes braços de vereda fraternidade.
Minha alma, sobe na frutuosa árvore,
avista à hora crepuscular, brinca nos galhos
escorrega em musgos, deita na relva,
e descansa a fome de paixão
com frutinhas vermelhas.

Daniel André

13 de agosto de 2015

Soneto de inverno


Cortina nublada no dia
fina chuva na terra
árvores orvalhadas no campo
o romantismo da serra.

Aroma de café fresco
perfuma todo o inverno
abraços de apego
com assopros de galerno.

O céu cor de rosa,
lenha estalando na fogueira
e na varanda, flores de cerejeira.

Cisnes namoram apaixonados
passarinhos cantando
e esse frio, encantando.

Daniel André

10 de agosto de 2015

Enquanto amarro os cadarços




Mais um dia,
Amarro os cadarços.
Cabeça baixa,
Pensamentos altos
Instantes desidiosos.

Interrogações, exclamações, vírgulas
E mais interrogações.

Nos laços dado
Uma breve vida, trem de emoções
Laços de um passarinheiro,
Também me envolvem. E agora?

Enquanto amarro os cadarços
A vida se amarra em períodos,
De lamurias, questionamentos
E quantos sentimentos.

Mais um dia,
Amarro os cadarços,
Junto da paciência do desembaraçar
Para um final feliz.

Daniel André.

14 de junho de 2015

Ultima infância


Com seu penacho vermelho
O pica pau maluco atentava,
E os amigos Tom & Jerry
Corriam entre os becos,
Na eterna vila do Chaves.
                                                     
Lá, à noite, gatos Thundercats
Miavam combates,
Um Cavalo de Fogo voava,
Tartarugas Ninjas lutavam
E Scooby-Doo latia mistérios.

Gaguinho e Patolino,
Comiam espinafre,
E mas-ti-ga-vam,
O sabor das fortes lembranças,
Músculos de Popeye e do He-man.

No cinismo risonho do Mutley,
Rabiscados por Hanna Barbera,
Capitão Planeta surgia no céu,
Doug e Charlie Brow
Jogavam bola de gude com as estrelas.
Batman zelava os sonhos
Da Punk, a levada da Breca,
Que sonhava a mesma infância que eu.

Na Caverna do Dragão
Criaturinhas azuis,
Cultivavam salsaparrilhas,
E de lá saiam,
Flashmans,
Jaspions,
Changemans,
Além de faíscas estelares,
Eram os Cavaleiros do Zodíaco!
  
Amanhecia na vila,
Uma nova infância entrava em cena
Meus heróis,
De cabelos grisalhos
Da maneira paulatina,
Escondiam-se nas memórias
Dos meninos e meninos, hoje adultos,
Eternizados em diversos corações.

Daniel André

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Com os personagens infantis das décadas de 80 e 90, veio o legado de que jamais devemos deixar morrer aquela criança que existe dentro de você, pois é ela que te salvará quando menos esperar. Mude o rumo quantas vezes forem necessárias, crie, recrie, reescreva, reinvente...


Musica Aquarela - Toquinho.
  

20 de maio de 2015

Mãe natureza



E diante de uma bela lagoa
intocada, escondida na solitude
de antigas árvores com barbas de velho
ele permite-se transmutar.

O mergulho em límpidas águas
que parecem um céu azul turquesa
faz a memória se entender entre rios
terra, fertilidade de espécies.

Suas escápulas são fortes barbatanas
que remam para quebrar cristalinas dores
amarguras, rumo a purificação em águas
onde se possa chegar a luz.

Ele já sente as imensas árvores
os galhos franzinos, pássaros tocando as nuvens
e a policromia de insetos que enfeitam
o tecido tela da vida.

E agora enraizado como parte do ambiente
unificado com o corpo e a mente,
ouve o clamante pulsar da vida
em tudo que é o viver.

E foi diante de uma bela lagoa
num mergulho abraço de sapiência
que ele viu, sentiu, sorriu toda a leveza
a agradeceu por conhecer, a mãe natureza.

Daniel André.

🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀🍀
Sugiro essa linda música da Maria Bethânia - Olho d´água.