13 de agosto de 2015

Soneto de inverno


Cortina nublada no dia
fina chuva na terra
árvores orvalhadas no campo
o romantismo da serra.

Aroma de café fresco
perfuma todo o inverno
abraços de apego
com assopros de galerno.

O céu cor de rosa,
lenha estalando na fogueira
e na varanda, flores de cerejeira.

Cisnes namoram apaixonados
passarinhos cantando
e esse frio, encantando.

Daniel André

10 de agosto de 2015

Enquanto amarro os cadarços




Mais um dia,
Amarro os cadarços.
Cabeça baixa,
Pensamentos altos
Instantes desidiosos.

Interrogações, exclamações, vírgulas
E mais interrogações.

Nos laços dado
Uma breve vida, trem de emoções
Laços de um passarinheiro,
Também me envolvem. E agora?

Enquanto amarro os cadarços
A vida se amarra em períodos,
De lamurias, questionamentos
E quantos sentimentos.

Mais um dia,
Amarro os cadarços,
Junto da paciência do desembaraçar
Para um final feliz.

Daniel André.

14 de junho de 2015

Ultima infância


Com seu penacho vermelho
O pica pau maluco atentava,
E os amigos Tom & Jerry
Corriam entre os becos,
Na eterna vila do Chaves.
                                                     
Lá, à noite, gatos Thundercats
Miavam combates,
Um Cavalo de Fogo voava,
Tartarugas Ninjas lutavam
E Scooby-Doo latia mistérios.

Gaguinho e Patolino,
Comiam espinafre,
E mas-ti-ga-vam,
O sabor das fortes lembranças,
Músculos de Popeye e do He-man.

No cinismo risonho do Mutley,
Rabiscados por Hanna Barbera,
Capitão Planeta surgia no céu,
Doug e Charlie Brow
Jogavam bola de gude com as estrelas.
Batman zelava os sonhos
Da Punk, a levada da Breca,
Que sonhava a mesma infância que eu.

Na Caverna do Dragão
Criaturinhas azuis,
Cultivavam salsaparrilhas,
E de lá saiam,
Flashmans,
Jaspions,
Changemans,
Além de faíscas estelares,
Eram os Cavaleiros do Zodíaco!
  
Amanhecia na vila,
Uma nova infância entrava em cena
Meus heróis,
De cabelos grisalhos
Da maneira paulatina,
Escondiam-se nas memórias
Dos meninos e meninos, hoje adultos,
Eternizados em diversos corações.

Daniel André

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Com os personagens infantis das décadas de 80 e 90, veio o legado de que jamais devemos deixar morrer aquela criança que existe dentro de você, pois é ela que te salvará quando menos esperar. Mude o rumo quantas vezes forem necessárias, crie, recrie, reescreva, reinvente...


Musica Aquarela - Toquinho.
  

20 de maio de 2015

Mãe natureza




Ele permite-se transmutar.

E foi diante de uma bela lagoa
intocada, escondida na solitude
de antigas árvores com barbas de velho.

Deu um mergulho em límpidas águas
que pareciam um céu azul turquesa,
e fez a memória se entender entre rios
terra, fertilidade de todas as espécies.

Suas escápulas são fortes barbatanas
que remam para quebrar cristalinas dores
amarguras, rumo a purificação em águas
batizada pela divina luz!

Ele já sente as imensas árvores
os galhos franzinos, pássaros tocando as nuvens
e a policromia de insetos que enfeitam
o tecido tela da vida.

E agora enraizado como parte do ambiente
unificado com o corpo e a mente,
ouve o clamante pulsar da vida
em tudo que é o viver.

E foi diante de uma bela lagoa
num mergulho abraço de sapiência
que ele viu, sentiu, sorriu toda a leveza
a agradeceu por conhecer, a mãe natureza.

Daniel André.

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Sugiro essa linda música da Maria Bethânia - Olho d´água.

5 de maio de 2015

O observador


Quando abro meus olhos,
Começo a minha jornada,
Admiro as minhas plantas,
E até logo pra minha casa.

No caminho do meu dia,
Observo os pássaros no céu,
Abelhas namorando flores,
Para construírem favos de mel.

Na banca de jornal,
Notícias ruins a me alertar,
Violência se alastrando
O meu dia não irá acabar.

Logo na esquina,
Vejo crianças brincando
Algumas sempre felizes
Outras sempre chorando.

No café da padaria,
Ouço pessoas a fofocar
Falando mal do vizinho
Que ontem estava no bar.

Diante de certas coisas,
Era melhor ser cego,
Existem  algumas pessoas,
Dando uma de espertos.

Observo pessoas artistas,
Enganando os outros pra viver,
Pedindo esmolas na rua,
Dizendo não ter o que comer.
  
Mas a bondade existe,
Observo até de olhos tapados,
Alma caridosa não me engana
Nos corações acalorados.

O dia sai correndo,
Até o transito quer descansar,
Minhas pernas vão pedindo,
Um lugar para repousar.

Deitado em minha cama,
São saudades, esperanças e amor
Caminho em nuvens de sonho
Na visão de um observador.

Daniel André.

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Escolhi a linda canção do Tavito ,"Rua Ramalhete" para embalar a leitura. Abraços queridos amigos!


   

23 de abril de 2015

Chapéu de veludo cinza


Extravagante,
Ou apenas elegante
De calça jeans surrada,
Da vida, das pessoas, de mim?

Com uma blusa no ombro
Carrego o peso em dizer sim!
E no ninho das minhas quimeras,
Um chapéu de veludo cinza.

Desço o morro,
Paro num bar
Cumprimento os amigos
E começamos a prosar.

Graciosas lembranças
Emergem do chapéu de veludo cinza
Páginas sorridentes
Da época do colégio.

No banco da praça
Assopros de experiências de vida
Cachorrada balança o rabo,
Meu sorriso os convida.

Caminho entre as cortinas do tempo
Passos gentis e humildes
A todos, abraço com palavras
E meu virtuoso chapéu.


Daniel André.

4 de abril de 2015

O palhaço


Sem vontade para animar
Apenas aprender e ouvir,
O circo que me envolve
Empurra-me para distrair.

O silêncio já respeito,
Um desânimo enraizado,
A face carrancuda,
Sinto-me um palhaço desolado.

O dia nem sorriu,
A escuridão insiste se despedir,
Difícil da alegria voltar,
E se ela vir, logo irá partir.

Assopro a nuvem pessimista
Os dias de tempestade e malancolia
Meu sorriso brota no rosto
E o sol a raiar alegria.

Novamente em cena,
Flores amáveis irei distribuir,
O picadeiro eleva o palhaço
Gargalhadas irão sair.

Daniel André.