4 de abril de 2015

O palhaço


Sem vontade para animar
Apenas aprender e ouvir,
O circo que me envolve
Empurra-me para distrair.

O silêncio já respeito,
Um desânimo enraizado,
A face carrancuda,
Sinto-me um palhaço desolado.

O dia nem sorriu,
A escuridão insiste se despedir,
Difícil da alegria voltar,
E se ela vir, logo irá partir.

Assopro a nuvem pessimista
Os dias de tempestade e malancolia
Meu sorriso brota no rosto
E o sol a raiar alegria.

Novamente em cena,
Flores amáveis irei distribuir,
O picadeiro eleva o palhaço
Gargalhadas irão sair.

Daniel André.

26 de março de 2015

Aquarela de sonhos





Sonhos, cores inocentes
nascidas da candura risonha
de uma criança feliz,
um cão brincando sozinho
adornados em laços de ternura,
nas suaves correntes de carinho.

Com as cores dos bons sonhos
extraio os perfumes da vida,
distribuo amores, com flores
deixo feliz uma página branca
planto a gratidão na grama
na real ilusão do meu mundo.

Na cor do meu afeto,
jogo pássaros arco Iris no céu
refloresto a vida com pincel
não permito o enfadonho
tinjo com alegria os anos
em uma aquarela de sonhos.

Daniel André

19 de março de 2015

Ao amor


As janelas do meu coração
sempre estarão abertas:
bem vindo amor!

Encontre-me
entre, me liberte
deixe que eu seja teu
chama-me de meu
é o meu amor
é o seu amor,
que devem se encontrar.

Bem vindo amor,
durma do meu lado
respiremo-nos
acorde
no meu beijo
no laço de línguas
em mim,
te desejo tanto ...

Ao amor, seus encantos
e completude,
que se propaguem
e encante-me sempre,
assim darei versos
de alegria de amar.

Um brinde especialmente,
ao amor, tim tim !


Daniel André

8 de fevereiro de 2015

Quintal gramado


Florescem de todas as árvores
Gotas de orvalho esmeralda
Eis a poesia visual da natureza
No tranquilo quintal gramado.

Paraíso de plantas risonhas
Flores alegres, outras tristonhas
Um harmônico verde cantante
Mandala esverdeado brilhante.

Pássaros salpicam suas cores
Na límpida tela azul do céu
E traz uma cascata de sonhos
Que sobrevoam toda a vida.

No quintal gramado de luz,
A terra é frutífera com sabor de paz
E com um rio que lava a alma
Do que já se findou.

Daniel André.

9 de dezembro de 2014

Selva de pedras



Nascem rasgando a terra,
Edifícios espelhados de abundância
E luxo do progresso capitalista.

Matam as antigas construções,
Poesia em concreto, desenhos
E flores de nostalgia que encantam
Qualquer saudosista em prantos!

Nascem rasgando a terra,
A globalização, a desumanização
Selvas de pedras, impérios de gloria
Jogos áridos em competição.

Dessas erupções de progresso
Ainda quero andar na Belle Époque
Do antigo Rio de Janeiro à São Paulo
E sentir o suntuoso passado urbanístico. 

Daniel André.

1 de dezembro de 2014

Abajur, blues, jazz, dois corpos


O abajur vermelho
deixava a sala rubro veludo
e dois corpos sossegados
em cima dos suspiros profundos.

Nuvens de bem estar paixão.

O corpo deles é jazz,
um jeito sincopado, bem ajustado
olhos risonhos e notas felizes
de um casal invadido pelo amor.

O ambiente nostálgico do blues,
encaixava-se com a rouquidão de prazer:
cenas antigas do cinema mudo,
com a elegância da interna magia
e a muda ternura dos íntimos toques.

Dançando sob um lençol vermelho,
embriagados pela neblina de bons sonhos,
beijos dourados com faíscas de felicidade
e ela, 
Fitzgerald na vitrola.
  

Daniel André


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Ella Jane Fitzgerald (Newport News, 25 de abril de 1917Beverly Hills, 15 de junho de 1996) também conhecida como a "Primeira Dama da Canção" (em inglês: First Lady of Song) e "Lady Ella", foi uma popular cantora de jazz estadunidense.2 Com uma extensão vocal que abrangia três oitavas, era notória pela pureza de sua tonalidade, sua dicção, fraseado e entonação impecáveis, bem como uma habilidade de improviso "semelhante a um instrumento de sopro", particularmente no scat.

29 de novembro de 2014

Do ciúme


Se o amor repousar no poente
Nascerá aquela febre ardente
Um ciúme, arrebatador, quente
Impetuoso sentimento pungente.

Se um dia ele escorrer em teu peito
Deixara-te prostrado em cima de um leito
Exigira o teu mais que perfeito
Porque o outro, sempre será suspeito.

Nele se confia, desconfiando
Contradiz-se em “estou te amando”
Perdoa se desculpando,
Sofrendo sempre com os anos.

Em sua forma mais branda e serena,
O ciúme é a proteção que não envenena,
É o tempero certo para certas cenas
De amor, de paixão, e coisas pequenas.

Daniel André.