6 de junho de 2014

Coração leviano



Estalaste esperanças em meus ouvidos
Como se conhecesse um gemido
De um homem apaixonado.

Elevaste a grandeza de um sentimento
Beijando pétalas de nossos momentos
Num cenário de tranquilidade.

Tiraste meu escudo de aço
E me faz de palhaço
No seu afável colo de amor.

Até que desprotegido da vida
Percebo em meu peito a ferida
Nascendo em mim outra vez.

Então lavo minh´ alma em lágrimas
Mergulho num mar de lastimas
Para poder me amar.

Ao som de um piano,
Lembro do seu coração leviano
E de nós dois.

Daniel André.
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2 de abril de 2014

Dois arquitetos




Aspiro com todo almejo
Que sejamos dois arquitetos
Planejando uma vida simples
De um sonho, ao real projeto.

Em seus olhos existem admiração
Cânticos de boas novas em viver
Juntos construiremos nossa historia
Dois apaixonados querendo vencer.

Na feira ou no supermercado
No restaurante ou no cinema
Dos gostos que já conhecemos
Resumidos num simples poema.

A fundação de tudo é o amor
Inquietudes poderão aparecer
Se a luz da paz está em nós
Tudo é fácil de resolver.

Do suave tijolo da felicidade
Ao sólido concreto da confiança
Um muro de flores que nos cerca
Representado por uma aliança.

O nosso castelo vai se erguendo
Com entusiasmo se destacando
Te agradeço com beijo na boca
Dois arquitetos sempre amando.

Aos antigos sonhos de criança
Cachorros bagunceiros no quintal
Com a força de nosso trabalho
O nosso lar será divinal.

Nosso jardim já esta completo
Flores, frutas e um imenso gramado
Nessa terra plantaremos uma arvore
Um território por nós conquistado.

Dan André. 



27 de março de 2014

Sobre o divã



O mundo precisa descansar
Voltar seus olhos
Para dentro de si
Vasculhar a escuridão
Que cega os dias
Nesse universo agitado
E desordenado do inconsciente.

Por trás da cor de medo
Haverá deuses e bestas
Se digladiando,
Comendo seus corpos
Diante de duas estrelas chorosas
Observadoras desses acontecimentos
Suspirando mudanças.

Haverá uma criança
Jogada numa terra fria
Que bate de porta em porta
Para esquentar os sonhos
Não atendidos por genitores.
A criança se encolhe
E presencia nas diversas janelas
Como seria gostoso
O manto familiar.

Explode, nasce, expande
Outra galáxia, e junto dela
Resquícios das indiferenças
Daquela criança desprotegida
Que cresce com um desejo
De um lar perfeito
E harmoniosamente lindo
Com pétalas de humildade
Caídas no chão.
 
Enquanto sobe os degraus
De um espaço agonizante
Resiste com bravura os motejos
Do quadrado, e todos os lados
Que se encontra
E se refugia no concreto escudo
Em que se esconde,
E também se exclui.

O núcleo dessa matéria prima
Gira em contradições, rejeições
E também do aumento
Da solidão interna.
E quanto mais foge
Dessa nebulosa confusa do passado
Das gargalhadas por ser diferente
Sente a solidão querendo laçar,
E corre,
E corre,
E corre,
Até acordar afogado
Na luz esperança
Com um lenço na mão,
Deitado num divã.




Dan André.