17 de março de 2014

Não te isoles passarinho




Não te isoles
Numa caixa toráxica
Passarinho medroso.

Quebre a casca do ovo
Permita-se nascer de novo
Mergulhe com tuas asas
Na liberdade de ser,
A roupa que o mundo te deu.

Derrame teus sonhos,
Tuas penas, pequenas,
Igual ao perdido orvalho,
Que encontrei no teu olhar.

Expanda sua arte,
E sentirá o perfume
Das alegres flores
Nos jardins dos anjos.

Será a sua natureza,
E viverá a beleza,
De se amar
Do jeito que é.
Não te isoles passarinho.

Dan André

7 de março de 2014

Outros olhos

Não quero que olhe
Minha blusa semi aberta
Nem para rosa no bolso
Que colhi para você.

Nem salive o suor
Da minha carne morena
Mas sinta a salgada timidez
Transpirar em meu rosto.

Não me vista com palavras
Delirantes de desejos
Recolhe sua flor de maracujá
Escondida em teu lugarejo.

Desnude a tua ansiedade
Em meu pretensioso leito
Olhe a ametista rosada
Do amor sufocado no peito.

Olhe meu interior,
Toque o tecido marrom
Sinta o olor natural da pele
Beija-me com seu batom

Olhe com olhos da psique
Um homem com boa intenção,
Desunindo a alma do desejo
Fundindo amor com paixão.

Dan André

2 de março de 2014

Balões

 
Em um céu nublado por mitos
Enraizados de cinzentos preconceitos
Tingem os balões de sabedoria
Colorindo a atmosfera de respeitos.

Por um véu de extrema ignorância
Mentes vazias são cobertas
Na vastidão de leigas nuvens
Haverá um sinal de alerta.

Quando um horizonte se expande
Para novos conhecimentos
Um balão se desprende da alma
Ganhando liberdade de pensamentos.

Liberto meu balão na aurora
Da benevolência de outro encontrar
Impulsionado por ventos distantes
Em igualdade podendo amar.

Embalados no cortejo da luz
Esperanças infladas se reunindo
Na brisa dos pacatos Elísios
Balões de harmonia vão surgindo.