27 de março de 2014

Sobre o divã



O mundo precisa descansar
Voltar seus olhos
Para dentro de si
Vasculhar a escuridão
Que cega os dias
Nesse universo agitado
E desordenado do inconsciente.

Por trás da cor de medo
Haverá deuses e bestas
Se digladiando,
Comendo seus corpos
Diante de duas estrelas chorosas
Observadoras desses acontecimentos
Suspirando mudanças.

Haverá uma criança
Jogada numa terra fria
Que bate de porta em porta
Para esquentar os sonhos
Não atendidos por genitores.
A criança se encolhe
E presencia nas diversas janelas
Como seria gostoso
O manto familiar.

Explode, nasce, expande
Outra galáxia, e junto dela
Resquícios das indiferenças
Daquela criança desprotegida
Que cresce com um desejo
De um lar perfeito
E harmoniosamente lindo
Com pétalas de humildade
Caídas no chão.
 
Enquanto sobe os degraus
De um espaço agonizante
Resiste com bravura os motejos
Do quadrado, e todos os lados
Que se encontra
E se refugia no concreto escudo
Em que se esconde,
E também se exclui.

O núcleo dessa matéria prima
Gira em contradições, rejeições
E também do aumento
Da solidão interna.
E quanto mais foge
Dessa nebulosa confusa do passado
Das gargalhadas por ser diferente
Sente a solidão querendo laçar,
E corre,
E corre,
E corre,
Até acordar afogado
Na luz esperança
Com um lenço na mão,
Deitado num divã.




Dan André.