30 de setembro de 2013

Cartas e borboletas




Por muitos anos,
Guardei no meu pote de açúcar,
As cartas melosas de amor,
Que tu fazias para mim.

Todas amassadas,
Envelhecidas como aqueles lenços,
De bordado azul celeste
Que me presenteaste.

Uma brisa de saudade,
Circulava-me feito os pássaros,
De várias espécies, e lá estava,
Eu sentando nas lembranças.

Pensei naqueles momentos,
Abri meu pote de recordações
E deixei todos aqueles escritos
Voarem como as borboletas.

Adeus cartas encantadas,
Adocicadas com seu perfume
Transformaram-se em declarações de asas
Desaparecidas no vento forte.


Daniel André

29 de setembro de 2013

Perfeita dor


Rego,
Minhas chagas com as lágrimas,
Derramadas por te venerar demais,
Desrespeito à afoiteza de seguir o rio.

Retiro,
Lentamente do meu peito,
Um a um, os pregos adoravelmente,
Bem cravados por tu, que me acarinha.

Deixa-me,
Acalentado na suspicácia,
Mas prefiro condoer meus dias,
A viver sem tua presença.

Entendo-te,
Meu amor mal amado,
Sentes entusiasmo em me torturar
Apenas sei que sofrer, é te amar.

Apoderou-se,
De todo meu espírito,
Essa perfeita dor que me adormece,
Senhora ingrata do meu coração.

Dolorosa,
É forma de sentir sua vida,
Mas determinaste desse jeito
Quando realmente, eu posso te amar.

Daniel André

 

28 de setembro de 2013

Cafeste romântico


 

Janelas abertas à meia noite

Um desejo pulsante, latente,

Um gato marrom atraído pelo olor,

De um corpo numa cama ardente.

 

Lambo meu bigode ao te ver

De bruços você apenas devaneia,

Num cafajeste romântico bem descarado,

Eu te acordo, e tu me incendeias.

 

Vou roçando minha barba rala

Nessa rosa já despetalada

Seus faróis acendem no escuro

Rasgo sua roupa, te deixo sem nada.

 

Minha língua corre as estradas,

Dessa carne que chora por possessão

Laços de pernas, e gemidos na cama

E terminamos ofegantes no chão.

 

Suavemente, volta a sonhar comigo,

Enquanto me arrumo, te deixo soluçar,

Antes de partir beijo a sua testa

E uma rosa vermelha para se lembrar.

 

Saio por onde entrei,

Ainda ouço gemidos para satisfazer

Sou romântico a moda antiga

Que arranca aplausos de prazer.

 

 Daniel André