4 de novembro de 2013

O uivar de um lobo




A noite sangra sobre o meu território,
Escorrendo pigmentos negros no ar,
Na escuridão desértica das florestas,
Surjo com meus olhos a iluminar.

Corro com a irmã lua no céu,
Vivo com corujas na liberdade noturna,
É supérfluo socializar em alcatéias,
Que lapidam minha face taciturna.

Sou canis lúpus, o macho alfa,
Predador decidido, confiante, determinado,
Busco carne com aroma de inocência,
Para cravar os meus caninos afiados.

Audição apurada para armadilhas,
Sinto o vento nos meus pelos cinzentos,
Perigosos são os laços do amor
Amarrando a selvagem solidão no meu interior.

Com minhas garras risco a pedra,
Ereto, sonorizo tudo o que vejo,
Uivo forte para mostrar quem manda,
E para atrair quem eu tanto desejo.

Daniel André.
  
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Um encontro do meu lobo solitário, com a "Tigresa" do Caetano Veloso.