21 de julho de 2013

Ruas nuas


As pernas das cidades abertas
Horas passando, enquanto são varridas
Mas é no silêncio da madrugada
Que penetro na limpeza despida.

As ruas estão nuas, sem nada
Nenhum objeto de ostentação
Nem vozes confusas exasperadas
Sem amparo a consolação.

Na frieza de cada beco,
Uma lâmpada envolta sob a neblina
Um mendicante numa cama de jornal
O anuncio de uma peça na esquina.

Prostitutas e travestis bem trajados
Guerreando o ponto e seus clientes
Enquanto o dia não mostra a cara
Esse é o labor de muita gente.

A imagem de uma santa na praça
É cercada de velas e oferendas de umbanda
Todos são iguais diante da fé
Sem partido, sexo e propaganda.

Os prédios antigos parecem modernos
Admiro com a atenção da vigilância  
Nessas ruas cruas o mistério é vasto
O presente é o passado com elegância.
  
Daniel André