30 de dezembro de 2011

Adolescentes apaixonados


Eles são dois adolescentes apaixonados,
Brincam de príncipes encantados,
Correm sorrindo no meio dos matos,
Sem saber o dia de amanha.

Os dois sorriem com aquele cigarro,
E numa certa hora, nada é bizarro,
Misturam-se na cama como barro,
Dando aquele beijo cinematográfico.

O vinho exalta as suas intenções,
Na cama, na rua, batem dois corações,
Um pensamento ligado em duas emoções,
Ficando subentendido nesses furacões.

Ficaram tão felizes naquela multidão,
Que esqueceram até da solidão,
Beberam, dançaram com muita paixão,
Todos aplaudiam com grande devoção.

São duas crianças famintas pela felicidade,
Cada um deles percorrem uma cidade,
Ficam distantes, mas por vaidade,
Existindo um sentimento inocente de verdade.

Daniel André.


17 de dezembro de 2011

Depois que você bateu a porta



A água não mata a minha sede,
O chão não é mais seguro,
O cobertor não aquece o meu frio,
Minha vida está no escuro.

Meu jardim agora é cinzento,
Meu lar agora é sombrio,
Os quadros perderam a beleza,
De tudo que já foi dito.

O perfume perdeu seu aroma,
As frutas não têm mais sabor,
O sol se transformou em lua
Daquele que vive sem amor.

Os passos estão perdidos,
De noite não há como descansar,
Seu semblante ainda é vivo,
Para quem insiste em ficar.

Tudo é um silencio,
A balburdia é o mesmo que rumor,
Sua voz permanece em minha mente,
Clamando pelo seu calor.

Dentro de mim é um rio,
Onde correm lágrimas de saudade,
Hoje só me resta lembranças
De nossos dias de felicidade.

14 de dezembro de 2011

Trancos e barrancos



Do declínio de nossas personalidades,
Vão surgindo diferentes oceanos,
Uma indagação reflete em nós
Do que fizemos nesses anos.

Cada um impera a rijeza de sua vontade,
E não sabemos a gênese desse conflito,
Amor e ódio vivem juntos,
Em baixo de um teto lânguido.

Somos dois adultos carrancudos,
E um se atrofia nessa esquisita situação,
Uma rivalidade de gênios imperativos,
Onde nenhum tem poder de decisão.

O amor pode ate chegar a nossa cama,
E despertar uma quietude que queremos,
Mas a cruzada de nossos ideais existe,
Dos fatos que ainda remoeremos.

Respeitar a privacidade do outro é o ideal,
E esmiuçar tudo não é uma atitude decente,
Para haver harmonia também é necessário,
Um acordo de paz entre agente.

Mas o acordo é desrespeitado, pisado,
E o período de prostração volta a assolar,
O prazer de ver o outro desanimado,
Não era assim que queríamos ficar.

Vivemos pelejando os nossos dias,
Por coisas inúteis em avanço,
Assim levaremos essa angustia doentia,
Aos trancos e barrancos.

Daniel André.

O embrião de nossos sonhos




Vai chegando o cansaço das pálpebras,
O corpo parece querer descansar,
Os movimentos vão ficando lentos
A luz apagada na sala de estar.

A realidade vai se distanciando
O mundo de fantasias começa se aproximar
Fechando os olhos a mente voa,
Vem pessoas nos levando pra andar.

Nos sonhos, não há limites pra se viajar
Dançamos em cima do mar,
Somos reis, bandidos e vitimas
De coisas complexamente submissas.

Podemos voar como as águias,
Ter a sagacidade das serpentes
Transformando-nos feitos loucos
Com coisas ocultas das mentes.

Nos sonhos, eu seria a sua lágrima.
Só pra descobrir o que te aflige,
Cada gota engoliria com cuidado,
Para saber de onde elas existem.

Você poderia ser a minha mente,
Eu seria as batidas de seu coração,
Uma sintonia perfeita de relacionamento,
Entrelaçados em neurônios de paixão.

O que origina os nossos sonhos, medos,
Ou a causa das fantasias de uma ilusão?
Tudo fluiria tão bem em nossas vidas,
Se descobríssemos o inicio desse embrião.

Daniel André.